A investigação ao acidente do Elevador da Glória aponta para um problema na operação de selagem do cabo à carruagem como a causa imediata da tragédia. A informação foi avançada pela TVI, que revelou que este processo é realizado há mais de um século nas oficinas da Carris, sempre que há substituição dos cabos dos funiculares históricos.
Na atualidade, a operação continua a ser feita de forma artesanal e envolve trabalhadores da Main, empresa concessionária da manutenção, em colaboração com funcionários experientes da Carris. Os primeiros indícios recolhidos após o incidente e compilados num relatório preliminar confirmam que “o cabo cedeu no seu ponto de fixação”, afastando responsabilidades quanto à qualidade do próprio cabo.
Pinto de Sá, perito do Instituto Superior Técnico, explicou à TVI os procedimentos envolvidos. “O problema não foi do cabo em si”, afirmou o especialista, esclarecendo que o material tinha “uma resistência 17 vezes superior às cargas que precisava de suportar”. Sublinhou ainda que “o processo de fixação do cabo à carruagem é feito artesanalmente, cá, nas oficinas da Carris, de ano e meio em ano e meio, cada vez que se muda o cabo há mais de 100 anos”.
As conclusões preliminares sugerem que o problema poderá ter ocorrido na ligação do cabo à peça metálica que o prende à carruagem. Os investigadores acreditam que terá sido um erro no processo de selagem manual com uma liga metálica a fragilizar o ponto crítico do sistema.
A determinação de responsabilidades cabe agora ao Ministério Público, que terá de apurar se esteve em causa erro humano ou outra falha no procedimento. Para já, especialistas contactados apontam para a operação manual de selagem como o elo mais vulnerável na manutenção do elevador histórico.














