Enviado do Kremlin propõe “túnel Putin-Trump” para ligar Rússia e EUA. Projeto custará 8 mil milhões de dólares

Um enviado especial do Kremlin sugeriu a construção de um túnel ferroviário sob o estreito de Bering, que ligaria a Rússia e os EUA e seria símbolo de uma nova era de cooperação entre Moscovo e Washington.

Pedro Gonçalves
Outubro 17, 2025
12:35

Um enviado especial do Kremlin sugeriu a construção de um túnel ferroviário sob o estreito de Bering, que ligaria a Rússia e os EUA e seria símbolo de uma nova era de cooperação entre Moscovo e Washington. A proposta apresentada por Kirill Dmitriev – enviado de investimento do presidente russo Vladimir Putin e diretor do Fundo Ruddo de Investimento Direto (RDIF)  – prevê uma ligação subterrânea já batizada de ‘Túnel Putin-Trump’, que terá um custo estimado de 8 mil milhões de dólares e que deverá ser financiado pela Rússia e por “parceiros internacionais”, de acordo com o responsável.

A ideia foi tornada pública na quinta-feira à noite, pouco depois de uma conversa telefónica entre Vladimir Putin e o presidente norte-americano Donald Trump, na qual ambos acordaram reunir-se em Budapeste para discutir formas de alcançar o fim da guerra na Ucrânia.

Um projeto ambicioso para “unir continentes”
Dmitriev afirmou que a construção do túnel sob o estreito de Bering — que separa a região russa de Chukotka do estado norte-americano do Alasca por cerca de 82 quilómetros no seu ponto mais estreito — “representaria um marco histórico e simbólico de unidade”.

“A ligação entre os Estados Unidos e a Rússia através do estreito de Bering é um sonho antigo, que remonta a 1904, com o projeto da linha ferroviária Sibéria–Alasca, e ao plano russo de 2007”, escreveu o responsável na rede X (antigo Twitter). Dmitriev acrescentou que o RDIF “estudou propostas existentes, incluindo a ferrovia EUA–Canadá–Rússia–China, e apoiará a mais viável”.

Segundo o enviado do Kremlin, o túnel poderia ser construído em menos de oito anos, permitindo transporte ferroviário e de carga entre os dois países.

Elon Musk e a Boring Company no horizonte
Kirill Dmitriev sugeriu ainda que a obra poderia ser executada pela The Boring Company, empresa norte-americana de construção de túneis fundada por Elon Musk. Numa mensagem dirigida ao empresário, o responsável russo afirmou: “Imagine ligar os Estados Unidos e a Rússia, as Américas e a Afro-Eurásia, com o Túnel Putin-Trump — uma ligação de 70 milhas que simboliza unidade. Os custos tradicionais seriam de mais de 65 mil milhões de dólares, mas a tecnologia da @boringcompany poderia reduzi-los para menos de 8 mil milhões. Vamos construir o futuro juntos.”

Nem Musk nem Trump responderam publicamente à proposta até ao momento.

O enviado do Kremlin recordou ainda que uma proposta semelhante já tinha sido feita durante a Guerra Fria, com a ideia de um “Kennedy–Khrushchev World Peace Bridge”, um projeto que pretendia criar uma ligação física de paz entre as duas superpotências. Dmitriev partilhou nas redes sociais um esboço dessa antiga iniciativa, acompanhado de um gráfico que mostra a rota que o novo túnel poderia seguir entre a Chukotka russa e o Alasca norte-americano.

“O RDIF já investiu e construiu a primeira ponte ferroviária entre a Rússia e a China. Chegou o momento de fazer mais e de conectar os continentes pela primeira vez na história da humanidade. Chegou o momento de ligar a Rússia e os Estados Unidos”, afirmou Dmitriev.

A proposta surge num momento em que Putin e Trump procuram retomar o diálogo direto, num esforço conjunto para alcançar uma solução diplomática para o conflito na Ucrânia. A iniciativa também faz parte de uma ofensiva diplomática e económica lançada por Moscovo para reaproximar-se de Washington após anos de tensão e sanções.

Dmitriev tem desempenhado um papel central nessa estratégia, tendo estabelecido contactos com Steve Witkoff, enviado especial de Trump, e defendido a possibilidade de empresas energéticas norte-americanas adquirirem participações minoritárias em projetos russos no Ártico.

Apesar do entusiasmo de Moscovo, não há ainda qualquer confirmação oficial de que o projeto venha a ser discutido nas próximas reuniões entre Putin e Trump. Contudo, o simbolismo da proposta — apresentada como um “gesto de unidade” — reflete a tentativa do Kremlin de reposicionar a Rússia como um parceiro estratégico e não apenas um adversário geopolítico.

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