Os robôs humanoides deixaram de ser uma promessa futurista para se tornarem uma presença crescente no mundo do trabalho. Graças à combinação de redes neurais e algoritmos avançados, estas máquinas já correm meias maratonas, jogam futebol, praticam boxe, realizam tarefas domésticas e executam funções em fábricas, onde a sua adoção é cada vez mais visível.
O exemplo mais conhecido é o Optimus, da Tesla, que já opera nas linhas de produção de veículos da empresa liderada por Elon Musk. Também a BMW anunciou um acordo com a americana Figure para utilizar robôs humanoides em todas as suas fábricas. Agora, a indústria aeronáutica prepara-se para seguir o mesmo caminho.
Airbus aposta em robôs humanoides na construção de aviões
De acordo com o site espanhol ’20Minutos’, a empresa chinesa UBTech assinou um novo acordo com a Airbus para integrar robôs humanoides no processo de construção de aeronaves. Embora os detalhes do entendimento não tenham sido tornados públicos, tudo indica que o modelo Walker S2 será incorporado na linha de montagem.
A intenção da Airbus passa por utilizar o androide como apoio direto aos trabalhadores humanos. “A ideia é que o robô auxilie na construção de novos aviões, tirando partido da sua destreza e da sua capacidade de adaptação”, explica a empresa, num movimento que reforça a cooperação entre humanos e máquinas no ambiente industrial.
Segundo o ’20Minutos’, esta integração poderá trazer vantagens adicionais em tarefas logísticas e de manuseamento, áreas onde os robôs humanoides começam a demonstrar ganhos claros de eficiência.
Da indústria automóvel à robótica em larga escala
O acordo com a Airbus surge num contexto de rápida expansão da robótica humanoide no setor industrial. A Hyundai, por exemplo, já anunciou planos para produzir milhares de unidades do robô Atlas a partir de 2028, com o objetivo de os integrar nas suas fábricas.
O Atlas distingue-se pela robustez: consegue levantar até 50 quilos, operar à chuva e até trocar a própria bateria, características que ilustram a evolução técnica destes androides e explicam o interesse crescente das grandes multinacionais.
Walker S2: o robô que pode trabalhar 24 horas por dia
Apresentado em julho do ano passado, o Walker S2, da UBTech Robotics, foi concebido especificamente para tarefas de logística, manufatura inteligente e execução de operações complexas de manuseamento.
O robô mede 1,76 metros de altura, pesa 70 quilos e dispõe de 52 graus de liberdade no corpo, além de 11 graus de liberdade em cada mão. Cada braço é capaz de mover cargas até 15 quilos, o que o torna apto para múltiplas tarefas industriais.
Em termos tecnológicos, integra um sistema autónomo com bateria dupla intercambiável, bem como as plataformas de inteligência artificial BrainNet 2.0 e Co-Agent, que combinam raciocínio multimodal com gestão autónoma de tarefas. Conta ainda com visão estereoscópica binocular RGB, algoritmos avançados de equilíbrio dinâmico e uma velocidade de deslocação que pode atingir 7,2 quilómetros por hora.
Segundo a UBTech Robotics, o Walker S2 é “o primeiro robô humanoide do mundo capaz de trocar autonomamente a própria bateria”, o que lhe permite operar de forma contínua durante 24 horas, sem necessidade de intervenção humana.
Meet the first humanoid robotic worker at SANY RE!
Watch UBTECH Walker S2 in action at China's first 5G-enabled wind power smart factory, where every move is a step toward a cleaner, more automated tomorrow.
From precise sorting to adaptive manipulation, this is the new face of… pic.twitter.com/DakT8oXWmJ
— UBTECH Robotics (@UBTECHRobotics) January 20, 2026














