Ensino Superior: São conhecidos hoje os resultados da 3.ª fase e abre período de matrículas e reclamações

A partir de hoje e até sexta-feira, dia 3, decorrem as matrículas e inscrições dos estudantes agora colocados, coincidindo com o prazo para a apresentação de reclamações relativamente às colocações.

Pedro Gonçalves
Outubro 1, 2025
6:00

Esta quarta-feira, 1 de outubro, são divulgados os resultados da 3.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior público, uma etapa que marca o encerramento do processo de colocação deste ano. A partir de hoje e até sexta-feira, dia 3, decorrem as matrículas e inscrições dos estudantes agora colocados, coincidindo com o prazo para a apresentação de reclamações relativamente às colocações.

O número de estudantes que se candidataram a esta fase foi significativamente mais baixo do que em 2024. Apenas 3160 candidatos apresentaram candidatura, menos 1492 do que no ano passado, o que representa uma quebra de 32%. A redução confirma a tendência já registada nas fases anteriores, em que também se verificou uma menor procura face a anos anteriores.

Para esta última fase do concurso estavam disponíveis 6710 vagas: 2734 em universidades e 3976 em politécnicos.

Impacto das mudanças nas regras de acesso
As alterações introduzidas no regime de conclusão do ensino secundário e de ingresso no ensino superior são apontadas como um dos principais fatores para a diminuição de candidatos. Com o fim do regime transitório aplicado durante a pandemia, passou a ser obrigatória a realização de três exames nacionais, incluindo Português no 12.º ano. Além disso, embora o peso dos exames na média das disciplinas tenha descido de 30% para 25%, a sua relevância na nota de candidatura subiu para 45%.

Outra mudança relevante foi a exigência de um mínimo de duas provas de ingresso para a candidatura, quando antes muitos cursos apenas pediam uma.

Quebras e desequilíbrios regionais
As duas primeiras fases já tinham mostrado sinais de desequilíbrio. Na 1.ª fase, registou-se uma quebra de cerca de 12% no número de candidatos e colocados, menos seis mil estudantes face a 2024. Já na 2.ª fase entraram 8824 alunos, mais 795 do que no ano anterior, mas esse número não compensou a quebra da fase inicial. Metade das vagas da 2.ª fase ficou por ocupar, sobretudo em instituições do interior, fenómeno que tem alimentado a crescente concentração do ensino superior no litoral.

Os politécnicos são os mais afetados: mais de dois terços das vagas não preenchidas na 2.ª fase estavam nestas instituições. Para o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), a atual regra de exigir duas provas de ingresso é “muito castradora”. A presidente do organismo, Maria José Fernandes, defendeu que “se há algumas áreas em que faz sentido haver mais do que um exame, noutras não se justificará”. Na sua perspetiva, o sistema “está a impedir que milhares de jovens cheguem ao ensino superior”.

Resultados definitivos e balanço do ano
No ano passado, a 3.ª fase permitiu a colocação de 1648 estudantes. No total de 2024, entraram 50.612 estudantes em universidades e politécnicos públicos, número muito próximo do registado em 2023 (49.996).

Este ano, o balanço final só poderá ser feito após a conclusão desta 3.ª fase, cujos resultados são agora conhecidos, marcando também o início das matrículas e o período de reclamações que decorre até 3 de outubro.

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