De Cascais a Sintra, do Parque das Nações ao Chiado
O asfalto húmido da marginal, entre Lisboa e Cascais, foi o cenário escolhido para o meu primeiro contacto com um automóvel “bastante bom”: o Firefly EV.
Se a sua silhueta nos remete para o icónico Honda-e, o que encontramos no interior é uma lição de como a indústria chinesa (sob a chancela da NIO) soube recolher o que de melhor as marcas premium europeias e japonesas oferecem e incluí-lo neste citadino.
O Firefly faz lembrar o minimalismo de marcas suecas com foco no luxo urbano. Por exemplo, assim que nos sentamos no Firefly, a primeira impressão que surge é de amplitude – até mesmo dos confortáveis e envolventes assentos em pele sintética e alcântara. Sem o túnel central aumenta a perceção de espaço, mas é no refinamento dos materiais e qualidade de construção que surpreende.
O habitáculo surge generosamente revestido a alcântara sintética, oferecendo uma sofisticação tátil rara em citadinos, além de muitos plásticos moles, mesmo nos bancos traseiros. A ergonomia foi pensada para o condutor; a alavanca da caixa de velocidades surge integrada na coluna de direção, libertando o túnel central. O sistema one-pedal é intuitivo e permite uma condução fluida no trânsito de Lisboa, imobilizando o Firefly com precisão sem tocar no travão.
Quase nada é manual. Dos bancos elétricos, ventilados e aquecidos com massagem, ao conforto dos mesmos, ao espelho retrovisor que se replica no painel central (e também, sempre que ocorre a mudança de direção), o Firefly quer eliminar o esforço físico do condutor.
A visibilidade periférica muito bem conseguida, assistida por “olhos” digitais, pois os assistentes de visão lateral são bastante eficazes, até mesmo quand abres a porta e a câmara liga para evidenciar quaisquer obstáculos ou ciclistas e também o detetor de crianças a bordo. Até o sistema de fragrância ativa vem instalado, numa espécie de batom que se encaixa no tablier na zona inferior.
Possui tração traseira (RWD) e um motor de 143 cv com vários modos de condução, o Firefly adorou as curvas da Serra de Sintra denotando uma grande estabilidade, o que também permite ter um raio de viragem de 4,7 metros, bem útil para estacionar no Chiado sem suar.
A bateria de 42,1 kWh (LFP da Sunwoda) é o coração do Firefly que, em ciclo WLTP promete 330 km e num uso real perto de 240 quilómetros.
Não esconde que é um automóvel de cidade e lazer, nunca um maratonista, mas a compatibilidade com a troca de bateria (BaaS) resolve o problema da autonomia em segundos.
O Firefly foi desenvolvido no Centro Tecnológico de Hefei, na China, sob o olhar de projetistas recrutados na BMW e Honda. Antes de chegar à Marginal, o modelo foi levado ao limite nos testes de inverno em Heihe e nalguns circuitos para garantir que a agilidade europeia estava presente no seu ADN.
O Firefly esconde uma capacidade de comunicação rara com o sistema de IA “Lumo” e a atualização de mapas preditivos garantindo que continua a “ler” a estrada para ajustar a suspensão em milissegundos.
O Firefly, ainda só tem dois anos de história mas possui uma visão de “tecnologia” da NIO e posiciona-se como o “iPhone dos automóveis” não só por ser um modelo com uma curva de valor elevada mas até pelas suas óticas triplas tanto à frente como atrás que nos recordam as câmaras do telemóvel, dando-lhe um aspeto robótico.
Fabricado em Anhui, mas vendido em Portugal via Grupo JAP, apresentam-no com uma audácia tecnológica chinesa e com um refinamento Europeu.
Para além das minhas impressões na Serra de Sintra, quis comprovar o que diz o press release e o consenso existe:
- Agilidade madura – com a distribuição de peso de quase 50/50 e uma suspensão traseira de cinco braços (multi-link) — algo raro neste segmento torna a condução refinada e silenciosa, até mesmo na suavidade de rolamento
- O rigor do chassis – A tração traseira (RWD) permite que a frente se foque apenas na direção, resultando num raio de viragem de 4,7 metros útil no estacionamento e um comportamento em curva muito bom ao melhor estilo alemão.
- A direção, embora precisa, foca-se mais no conforto urbano
- Segurança dos “grandes” pois possui nota máxima de 5 estrelas no Euro NCAP, num veículo estruturalmente robusto que transmite confiança
Em resumo, o Firefly não quer ser apenas mais um automóvel mas um símbolo de estilo de vida que se foca nos nómadas digitais e famílias urbanas que vivem no centro das cidades ou arredores e que não abdicam de um estilo de vida premium com agilidade, tendo como fator diferenciador e proposta de valor: o “luxo invisível” e a troca de bateria.
Ficha Técnica Resumida:
- Bateria: 42,1 kWh (Sunwoda LFP).
- Potência: 143 cv (RWD).
- Preço: A partir de 29.990 € (Estimado).
- Destaque: Troca de bateria em 3 minutos.



























