O fraco relatório sobre o mercado de trabalho nos EUA apresentado na semana passada validou os receios de que a economia norte-americana esteja a abrandar mais rapidamente do que a Reserva Federal esperava.
“Os mercados apressaram-se a prever mais cortes por parte da Reserva Federal este ano, incluindo a possibilidade de cortes de 50 pontos base. Além disso, os ativos de risco caíram consideravelmente e as moedas consideradas ativos de refúgio dispararam”, explica David Brito, Diretor-Geral da Ebury.
Esta subida foi liderada mais uma vez pelo iene japonês, que subiu 5% em relação ao dólar numa única semana, depois de o Banco do Japão ter subido as taxas de juro. Já as moedas dos mercados emergentes tiveram mais uma semana negativa, com exceção das asiáticas, que estão a beneficiar da força do iene e do yuan, uma vez que as posições contra essas moedas continuam a ser abandonadas.
“Em apenas duas semanas, as expectativas do mercado em relação aos movimentos dos bancos centrais mudaram significativamente. As expectativas para os cortes da Fed passaram de apenas dois para mais de quatro cortes de 25 pontos base, enquanto as projeções para as taxas do BCE e do Banco de Inglaterra sofreram alterações menos dramáticas, mas ainda assim significativas”, sublinha o especialista.
Neste cenário, o dólar americano está a sofrer com esta reavaliação relativa, embora o seu papel de porto seguro tenha mantido a venda bastante moderada até agora. Assim, David Brito considera que é provável que os mercados estejam a reagir de forma exagerada ao fraco relatório da semana passada sobre os salários nos EUA, e poderemos assistir a alguns movimentos de contra tendência.
Para além destes dados, a inflação da Zona Euro e o crescimento do PIB do segundo trimestre foram mais fortes do que o esperado, o que deve manter a reavaliação dos cortes das taxas do BCE sob controlo e o euro bem apoiado no comércio de verão.














