Elon Musk quer construir uma cidade na Lua em menos de 10 anos

Mudança de prioridades reflete uma avaliação pragmática das limitações técnicas e temporais das missões interplanetárias

Francisco Laranjeira
Fevereiro 9, 2026
14:16

O mundo vive uma nova vaga de entusiasmo pela exploração espacial, impulsionada pela aproximação da primeira missão tripulada à Lua em mais de 50 anos. O regresso de humanos à órbita lunar com a missão Artemis II está a reavivar o interesse global pelo satélite natural da Terra.

Este renovado foco na Lua foi recentemente reforçado por Elon Musk. O fundador da SpaceX afirmou na rede social ‘X’ que a empresa “mudou o seu foco para a construção de uma cidade autossustentável na Lua”, considerando que este objetivo poderá ser alcançado “em menos de dez anos”. Segundo Musk, um projeto semelhante em Marte exigiria mais de duas décadas. De acordo com o ’20 Minutos’, esta mudança de prioridades reflete uma avaliação pragmática das limitações técnicas e temporais das missões interplanetárias.

Marte mantém-se no horizonte da SpaceX

Apesar da nova centralidade da Lua, Marte não desapareceu dos planos da empresa. Elon Musk garantiu que a SpaceX continuará a trabalhar na construção de uma cidade marciana, prevendo o início desse processo dentro de cinco a sete anos. O empresário recordou ainda que a nave Starship deverá ser lançada rumo a Marte ainda este ano, aproveitando a próxima janela de transferência entre a Terra e o planeta vermelho, como já tinha anunciado anteriormente.

Musk sublinhou as diferenças logísticas entre os dois destinos. As viagens a Marte só são possíveis quando os planetas se alinham a cada 26 meses e implicam deslocações de cerca de seis meses. Já a Lua permite missões a cada dez dias, com uma duração aproximada de dois dias. Para o CEO da SpaceX, esta proximidade torna possível avançar mais rapidamente no desenvolvimento de uma cidade lunar, acelerando processos de teste e correção.

O empresário reiterou que a missão central da SpaceX continua a ser “estender a consciência e a vida como a conhecemos às estrelas”, defendendo que a prioridade máxima é garantir o futuro da civilização. Nesse contexto, a Lua surge como um objetivo mais imediato e alcançável, refere o ’20 Minutos’.

Starship, a peça-chave dos planos lunares

No centro desta estratégia está a Starship, o megafoguete da SpaceX que ainda se encontra em fase de testes e não foi certificado para voos tripulados nem missões operacionais. O programa segue uma abordagem de desenvolvimento iterativo, baseada em testes frequentes, falhas controladas e melhorias sucessivas, com lançamentos integrados do propulsor Super Heavy e da nave propriamente dita.

As campanhas de ensaio mais recentes permitiram validar melhorias no controlo durante a subida e a reentrada, manobras de orientação, procedimentos de recuperação e a robustez dos novos motores Raptor, além de alterações estruturais relevantes. Entre os marcos alcançados contam-se a separação dos estágios, o controlo durante a reentrada e os pousos planeados no oceano, bem como testes de recuperação de propelente.

Ainda assim, o desenvolvimento da Starship tem sido marcado por falhas significativas, incluindo perdas de veículos durante a reentrada, problemas de estabilidade, fugas e uma explosão de um propulsor num teste em solo, incidentes que obrigaram a reformulações técnicas e a ajustes no calendário.

A Starship assume também um papel central no regresso humano à Lua no âmbito do programa Artemis da NASA. A agência espacial americana selecionou a versão Starship HLS como módulo lunar responsável por transportar astronautas da órbita lunar até à superfície e no trajeto de regresso. Este perfil de missão exige capacidades ainda não totalmente demonstradas, em particular o reabastecimento em órbita, considerado um dos maiores desafios técnicos do projeto.

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