Elon Musk propõe controlar o Sol com satélites para travar o aquecimento global

Elon Musk voltou a surpreender com uma das ideias mais ousadas e controversas da sua carreira: usar uma rede de satélites equipados com inteligência artificial para controlar a quantidade de luz solar que atinge a Terra, numa tentativa de travar o aquecimento global.

Pedro Gonçalves
Novembro 4, 2025
16:35

Elon Musk voltou a surpreender com uma das ideias mais ousadas e controversas da sua carreira: usar uma rede de satélites equipados com inteligência artificial para controlar a quantidade de luz solar que atinge a Terra, numa tentativa de travar o aquecimento global.

O empresário e fundador da SpaceX e da Tesla lançou a proposta esta semana na rede social X (antigo Twitter), descrevendo um projeto que, segundo o próprio, poderia “fazer pequenos ajustes” na radiação solar recebida pelo planeta. “Uma grande constelação de satélites movidos a energia solar e controlada por inteligência artificial seria capaz de evitar o aquecimento global, ajustando ligeiramente a quantidade de energia solar que chega à Terra”, escreveu Musk.

A ideia enquadra-se no conceito de gestão da radiação solar (SRM, na sigla inglesa), uma forma de geoengenharia que visa refletir parte da luz solar para o espaço, arrefecendo artificialmente o planeta. Musk sugeriu que os satélites poderiam ser programados para refletir uma fração mínima da radiação solar, equilibrando as temperaturas globais.

Quando questionado sobre como seria possível garantir ajustes precisos e equitativos, sem criar desequilíbrios sazonais ou conflitos geopolíticos sobre o controlo do clima, Musk respondeu de forma direta: “Sim. Bastariam pequenos ajustes para evitar o aquecimento global — ou o arrefecimento, já agora. A Terra já foi uma bola de gelo várias vezes no passado.”

Apesar da confiança do empresário, cientistas e especialistas alertam para os riscos profundos de interferir no equilíbrio radiativo do planeta. Pequenas alterações na quantidade de luz solar poderiam provocar consequências imprevisíveis e desiguais — desde alterações nos padrões de precipitação até impactos na agricultura e na biodiversidade.

Além disso, não existe qualquer enquadramento legal internacional que regule a utilização deste tipo de tecnologia, levantando sérias questões éticas e políticas. “Quem decide qual deve ser a temperatura ideal do planeta?” questionam investigadores e juristas especializados em direito ambiental.

A proposta de Musk não é totalmente inédita, mas distingue-se pela dimensão e pela influência de quem a apresenta. A SpaceX, através da rede Starlink, já opera milhares de satélites em órbita baixa, o que, na teoria, colocaria Musk numa posição única para liderar um projeto de engenharia planetária desta escala. Contudo, por agora, a ideia continua puramente teórica.

De acordo com o artigo publicado por Ellyn Lapointe a 3 de novembro de 2025, a sugestão de Musk surgiu num momento em que a temperatura média global se aproxima de níveis críticos, com a comunidade internacional longe de cumprir as metas de redução de emissões. “Ideias tecnológicas ambiciosas para arrefecer o planeta têm ganho atenção nos últimos anos, e agora Musk decidiu intervir no debate”, escreve a autora.

Outras empresas também exploram abordagens semelhantes, como o uso de aerossóis atmosféricos que imitam os efeitos de grandes erupções vulcânicas ou o lançamento de espelhos orbitais para desviar parte da radiação solar. No entanto, nenhum desses projetos está próximo de ser implementado em larga escala.

Caso a SpaceX avançasse com a iniciativa, teria de criar uma nova divisão de satélites especializados em SRM, o que exigiria investimentos de vários biliões de dólares e uma reformulação completa da atual constelação de comunicações da Starlink — algo que especialistas consideram “altamente improvável”.

Os custos de lançamento, manutenção e controlo seriam astronómicos, com estimativas na ordem dos vários biliões de dólares, tornando o projeto impraticável mesmo para um empresário com a fortuna de Elon Musk.

Além disso, os impactos potenciais de uma manipulação tão direta do clima seriam vastos. Alterações na luminosidade poderiam afetar o ciclo dia-noite, as migrações de espécies, os ecossistemas agrícolas e até as relações internacionais, caso o “controlo do Sol” passasse a ser uma ferramenta de poder geopolítico.

Apesar das críticas e dos obstáculos técnicos, a ideia de Musk reacendeu o debate global sobre os limites da geoengenharia. Especialistas sublinham que, mesmo que o projeto não avance, o simples facto de ser proposto por uma das figuras mais influentes da tecnologia pode acelerar investimentos e discussões em torno de soluções radicais para o combate às alterações climáticas.

Para já, controlar o Sol continua a ser ficção científica. Mas, como recorda o próprio Musk, “a Terra já foi uma bola de gelo no passado”.

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