A Hungria vai a votos a 12 de abril de 2026, numa eleição legislativa que poderá representar o maior desafio político em duas décadas ao primeiro-ministro Viktor Orbán. A data foi oficialmente anunciada esta terça-feira pelo Presidente húngaro, Tamás Sulyok, colocando o país no centro da atenção política europeia numa primavera que se antevê decisiva para o futuro do regime liderado pelo partido Fidesz.
Num comunicado publicado nas redes sociais, Tamás Sulyok confirmou que “a votação terá lugar no domingo, 12 de abril de 2026”, sublinhando que “um dos pilares da democracia é o direito a eleições livres” e apelando à participação dos cidadãos no ato eleitoral, de acordo com a informação avançada pelo site Politico.eu.
As eleições de primavera surgem num contexto particularmente sensível para Viktor Orbán, que governa a Hungria há cerca de 20 anos e tem sido alvo de críticas recorrentes por alegados retrocessos democráticos e fragilização do Estado de direito. O escrutínio poderá pôr em causa a continuidade de um poder que marcou profundamente a política interna e externa do país.
Dados agregados pela Poll of Polls da POLITICO indicam uma vantagem clara da oposição. O partido Tisza, liderado por Péter Magyar, surge à frente nas intenções de voto, com 49% de apoio, superando o Fidesz, que recolhe 37%. Esta diferença representa um sinal de alerta inédito para o partido no poder, habituado a vitórias confortáveis nas últimas legislativas.
Péter Magyar tem vindo a ganhar protagonismo ao apresentar-se como a principal alternativa ao atual Governo. A sua campanha assenta em promessas de reforço da independência judicial, combate à corrupção e reposicionamento democrático da Hungria, oferecendo aos eleitores uma rutura clara com o modelo político associado ao Fidesz.
A estratégia eleitoral do líder do Tisza Party procura captar eleitores descontentes com o desgaste do poder e com a crescente tensão institucional entre Budapeste e as instituições europeias, num momento em que a oposição parece mais unida e mobilizada do que em anteriores ciclos eleitorais.
Viktor Orbán continua a ser uma figura altamente controversa no seio da União Europeia. O primeiro-ministro húngaro tem protagonizado confrontos frequentes com Bruxelas e com várias capitais europeias, nomeadamente em matérias como o apoio à Ucrânia, os direitos da comunidade LGBTQ+ e a aplicação de sanções à Rússia.
Estes conflitos têm contribuído para o isolamento político da Hungria dentro da UE e poderão pesar na decisão dos eleitores, num contexto em que a política externa e a relação com a Europa assumem um papel central no debate eleitoral.
A marcação das eleições legislativas para 12 de abril de 2026 é encarada por analistas e observadores internacionais como um possível ponto de viragem para a democracia húngara. Pela primeira vez em muitos anos, as sondagens apontam para uma possibilidade real de alternância no poder, colocando em causa o domínio prolongado de Viktor Orbán.
O desfecho do escrutínio poderá ter implicações profundas não só para a Hungria, mas também para o equilíbrio político dentro da União Europeia, num momento de forte instabilidade geopolítica e de redefinição das alianças internas do bloco.






