E se a Tesla finalmente descobriu como se separar de Elon Musk de forma ‘barata’?

A 6 de novembro, os acionistas da Tesla terão que decidir se concedem a Elon Musk o maior pacote de remuneração da história de uma empresa listada

Executive Digest
Outubro 23, 2025
16:44

Enquanto os acionistas da Tesla se preparam para votar o colossal plano de remuneração de Elon Musk, está a formar-se uma reação negativa: duas empresas de influência, a ISS e a Glass Lewis, recomendaram a rejeição do plano, considerando a proposta excessiva. O CEO, por sua vez, ameaça pedir demissão se não receber o seu bilião de dólares. E se, de acordo com o site especializado ‘L’Automobile Magazine’, por trás dessa provocação, estiver a maneira mais fácil para a Tesla virar a página de Musk?

A 6 de novembro, os acionistas da Tesla terão que decidir se concedem a Elon Musk o maior pacote de remuneração da história de uma empresa listada. Este plano de opções de ações de 1 bilião deve recompensar o crescimento futuro da marca automóvel. Mas várias análises, incluindo da ‘Reuters’, indicam que poderia render dezenas de milhares de milhões a Musk mesmo que a Tesla não supere o mercado.

As consultorias ISS e Glass Lewis, que pesam muito nas votações institucionais, recomendaram a rejeição do plano. Esta última cita “preocupações significativas com a diluição do valor para os acionistas”, estimando que a estrutura do contrato recompensa Musk mesmo que o seu desempenho esteja abaixo da média do S&P 500. Esta é uma posição constrangedora para o conselho de administração, já abalado pelo cancelamento judicial, no início de 2024, do antigo plano, que era de “apenas” 56 mil milhões de dólares.

Face aos protestos, Elon Musk optou pelo confronto direto. Questionado sobre o assunto no ‘X’ (antigo Twitter), respondeu a um investidor que criticou o plano: “A Tesla vale mais do que todas as outras marcas de automóveis juntas. Qual dos CEO gostaria de ver a comandar a Tesla? Não serei eu.” A mensagem é clara: sem remuneração, não há CEO.

Essa saída provocou uma mistura de aborrecimento e cansaço entre alguns acionistas. Alguns apontam que o chefe já recebeu mais dinheiro da Tesla do que o grupo arrecadou em lucro líquido desde a sua criação. Outros denunciam a chantagem da gestão duma empresa que, paradoxalmente, há muito tempo provou que pode funcionar sem Musk no dia a dia.

Porque por trás da provocação, surge outro cenário: e se a Tesla visse esta crise como a oportunidade perfeita para se libertar (de forma barata) de um líder que se tornou incontrolável? Os investidores sabem que Musk agora divide o seu tempo entre a SpaceX, a xAI, a The Boring Company e sua rede social ‘X’, que ele próprio esvaziou de anunciantes. O seu real envolvimento na Tesla agora é motivo de debate.

Internamente, vários executivos de longa data deixaram o navio nos últimos meses, cansados ​​de uma gestão errática, de anúncios frequentemente impulsivos e de reviravoltas incessantes. Até mesmo o projeto “Model 2”, que deveria relançar a marca com um modelo acessível no segmento compacto, permanece paralisado. Sem mencionar o envelhecimento da gama. A saída do “fundador” poderia permitir à Tesla recuperar uma governança clara e, acima de tudo, uma avaliação mais realista, livre da volatilidade de Musk.

A assembleia geral de acionistas de 6 de novembro configura-se como um referendo sobre a governança da marca de carros elétricos. Se os acionistas rejeitarem o plano, Musk terá a escolha entre abrir mão da sua fortuna ou executar a sua ameaça. Um resultado que inevitavelmente preocupará alguns investidores, mas para outros, pode marcar o início de uma nova era para a Tesla: a de uma empresa que está a libertar-se do seu criador e da imagem que ele carrega consigo.

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