A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos marcou um dos acontecimentos internacionais mais impactantes do último fim de semana. A operação foi precedida por ataques americanos em Caracas e arredores, numa noite que deixou a Venezuela em choque e dividiu opiniões dentro e fora do país.
De acordo com a publicação ’20Minutos’, Nicolás Maduro encontra-se sob custódia das autoridades americanas, em Nova Iorque, onde deverá ser julgado por acusações que incluem conspiração para narcoterrorismo e posse de armas automáticas. Até à realização do julgamento, o antigo líder venezuelano ficará detido numa prisão federal com reputação particularmente severa: o Centro de Detenção Metropolitano, no bairro de Brooklyn.
O Centro de Detenção Metropolitano, conhecido pela sigla MDC, é descrito como uma das prisões federais mais problemáticas dos Estados Unidos. Dados do organismo de fiscalização do Departamento de Justiça indicam que, ao longo de oito anos, registaram-se 344 mortes em estabelecimentos deste tipo, por suicídio, homicídio ou acidente. Mais de metade dessas mortes foram suicídios.
No caso específico do MDC de Brooklyn, pelo menos quatro reclusos suicidaram-se nos últimos três anos, segundo declarações da equipa jurídica de Sean “P. Diddy” Combs citadas pelo ’20Minutos’. A situação agravou-se em 2021, quando reclusos do Centro Correcional Metropolitano de Manhattan foram transferidos para Brooklyn devido à degradação das instalações em Manhattan, embora o próprio MDC já apresentasse problemas graves.
Sobrelotação e falta de pessoal
Atualmente, o MDC é a única prisão federal deste tipo em Nova Iorque. Tem capacidade para cerca de 1.600 detidos, mas enfrenta uma escassez crónica de funcionários, o que tem resultado em confinamentos frequentes, episódios de violência e atrasos no acesso a cuidados médicos. Em 2024, um detido foi esfaqueado até à morte enquanto aguardava julgamento e, pouco tempo depois, outro morreu na sequência de uma rixa entre reclusos.
A gravidade das condições levou vários juízes a recusarem o envio de arguidos para esta prisão. Em 2024, o juiz Gary Brown classificou as condições do MDC como “perigosas e bárbaras”, admitindo anular uma pena de nove meses para evitar que um idoso fosse ali detido. Outros magistrados tomaram decisões semelhantes, segundo órgãos de comunicação social americanos citados pelo ’20Minutos’.
🇻🇪🇺🇸 | Este sería el nuevo lugar de detención de Nicolás Maduro: el Metropolitan Detention Center (MDC) de Brooklyn, una prisión federal de máxima seguridad conocida por sus duras condiciones y apodada “el infierno de Brooklyn”. pic.twitter.com/0ARTmPobsh
— AlertaNewsPlus (@AlertaNewsPlus) January 4, 2026
Problemas de saúde e higiene
Uma reportagem da estação NY1 mostrou imagens do interior da prisão, revelando situações de isolamento extremo, em que alguns detidos só podiam sair da cela de três em três dias para um banho de 15 minutos. Foram também identificadas falhas graves na assistência médica e problemas sérios de higiene.
“De vermes na comida à violência, tudo acontece no MDC”, afirmou David Patton, antigo diretor da Procuradoria Pública Federal de Nova Iorque, em declarações citadas pelo 20Minutos. As imagens recolhidas mostram baratas na comida, lâmpadas partidas e bolor nos chuveiros, além de relatos de falhas de energia no inverno de 2019 que deixaram reclusos em celas geladas durante vários dias.
Detidos de alto perfil
Ao longo dos anos, o Centro de Detenção Metropolitano acolheu vários reclusos de grande notoriedade. Entre eles contam-se Ghislaine Maxwell, associada de Jeffrey Epstein, o rapper Sean “P. Diddy” Combs, o líder do cartel de Sinaloa Ismael “El Mayo” Zambada, o músico R. Kelly, o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández e Billy McFarland, organizador do Fyre Festival.
É neste contexto que Nicolás Maduro aguardará agora julgamento, numa prisão que tem sido repetidamente denunciada por juízes, advogados e meios de comunicação social como um dos símbolos mais extremos da degradação do sistema prisional federal americano.














