Já é conhecida a configuração dos boletins de voto que os eleitores portugueses encontrarão nas eleições legislativas do próximo domingo, 18 de maio. A ordem dos partidos nos boletins foi definida através de sorteios realizados em abril passado nas comarcas correspondentes a cada círculo eleitoral, e os resultados foram entretanto divulgados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE).
Como nem todas as forças políticas concorrem em todos os círculos eleitorais, existem 22 versões diferentes dos boletins de voto, conforme a distribuição das candidaturas por distrito. O objetivo deste sorteio é assegurar a imparcialidade e equidade na disposição das listas candidatas, sendo a ordem definida de forma aleatória, mas com supervisão judicial e com a presença de representantes dos partidos.
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No círculo do Porto, a coligação Aliança Democrática (AD), que junta o PSD e o CDS-PP, será a primeira a figurar no boletim. Já em Leiria, será o Chega a ocupar o topo da lista. Mas é em Lisboa que o boletim apresenta uma configuração mais inesperada: os três primeiros lugares pertencem ao Ergue-te, ao Livre e ao Juntos Pelo Povo (JPP). A AD surge apenas no antepenúltimo lugar, enquanto o Partido Socialista (PS) aparece na oitava posição.
Este posicionamento pode ter impacto na visibilidade das candidaturas junto dos eleitores, sobretudo dos menos informados ou indecisos. Estudos anteriores sobre comportamento eleitoral têm sugerido que estar entre os primeiros lugares no boletim pode representar uma vantagem simbólica e até prática, nomeadamente em eleições mais renhidas.
Em nenhum dos 22 boletins o Partido Socialista surge na primeira posição. O melhor lugar conseguido pelos socialistas é o terceiro posto no círculo de Coimbra. Esta ausência de liderança na ordenação poderá ser um dado relevante num cenário de disputa apertada, onde cada detalhe pode pesar no resultado final.
Outro aspeto com potencial para gerar confusão é a proximidade entre as designações “AD” (coligação PSD/CDS-PP) e “ADN” (Alternativa Democrática Nacional) em alguns círculos, como Coimbra e Madeira, onde ambas as candidaturas aparecem lado a lado. Este alinhamento já tinha levantado dúvidas nas legislativas anteriores, quando o ADN registou resultados inesperadamente elevados, levantando suspeitas sobre possíveis equívocos dos eleitores.
Para mitigar esse risco, a CNE determinou que a AD surgirá nos boletins com a designação completa “AD coligação PSD/CDS-PP”, facilitando a distinção face ao ADN. A preocupação com a clareza na apresentação das candidaturas tem sido uma prioridade reforçada, numa tentativa de garantir que os eleitores votam em plena consciência da sua escolha.




