Drones ucranianos matam tropas russas mais rápido do que o Kremlin consegue recrutar novos soldados, garante Kiev

Dados oficiais das Forças Armadas da Ucrânia indicam que, em dezembro de 2025, as forças russas registaram mais de 35 mil baixas confirmadas por todas as causas

Francisco Laranjeira
Janeiro 7, 2026
14:41

Pela primeira vez desde o início da invasão em grande escala, as forças de drones da Ucrânia neutralizaram, num único mês, mais militares russos do que aqueles que o Kremlin conseguiu recrutar no mesmo período. A informação foi avançada esta terça-feira pelo comandante das Forças Armadas da Ucrânia, general Oleksandr Syrsky, que apontou dezembro como um momento de viragem no conflito.

Segundo o ‘Kyiv Post’, Syrsky afirmou que as Forças de Sistemas Não Tripulados ucranianas neutralizaram mais de 33 mil militares russos durante o mês, um número que corresponde, pelo menos, ao contingente mensal enviado por Moscovo para a frente de combate. Estes dados incluem apenas casos confirmados em vídeo, o que leva o comando ucraniano a admitir que as perdas reais poderão ser superiores.

Dados oficiais das Forças Armadas da Ucrânia indicam que, em dezembro de 2025, as forças russas registaram mais de 35 mil baixas confirmadas por todas as causas. Estimativas independentes apontam no mesmo sentido. O investigador islandês Ragnar Gmundsson calcula que as perdas totais de pessoal russo em 2025 tenham atingido cerca de 416.500 militares, dos quais aproximadamente 110 mil mortos.

Uma análise do grupo independente Mediazona, baseada em avisos de óbito, obituários e convites para funerais, concluiu que o número confirmado de militares russos mortos aumentou cerca de 40% face a 2024, ultrapassando os 156 mil. Estes números reforçam a leitura de que a intensidade das perdas russas se agravou significativamente ao longo do último ano, de acordo com o ‘Kyiv Post’.

Drones FPV no centro da estratégia ucraniana

O major Robert Brovdi, comandante das forças de drones da Ucrânia, confirmou que em dezembro foram atingidos mais de 33 mil militares russos através de drones kamikaze FPV e de drones bombardeiros, um aumento substancial face a novembro. Brovdi sublinhou ainda que a taxa de sucesso das operações com drones cresceu mais de 40% num só mês e deverá continuar a aumentar.

Durante dezembro, as operações com drones atingiram níveis inéditos, com centenas de milhares de missões de voo realizadas. Para o comando ucraniano, a lógica estratégica é clara: se as forças de drones conseguirem eliminar ou ferir soldados russos mais rapidamente do que Moscovo os consegue recrutar, a balança do conflito tenderá a inclinar-se a favor de Kiev.

Recrutamento russo abaixo do discurso oficial

As declarações ucranianas sobre o ritmo de recrutamento russo coincidem com estimativas de fontes abertas e com números divulgados por responsáveis russos. Apesar de Vladimir Putin ter afirmado que até 60 mil pessoas se voluntariam mensalmente, outros membros do Governo russo apontaram valores entre 30 mil e 35 mil novos contratos por mês, números compatíveis com as estimativas ucranianas.

Syrsky alertou, no entanto, que a Rússia está a acelerar a produção de drones e o treino de operadores, tornando essencial que a Ucrânia mantenha a vantagem tecnológica e operacional neste domínio. Na sua leitura, quem dominar o uso massivo e eficaz de sistemas não tripulados terá uma vantagem decisiva na guerra moderna.

Um campo de batalha dominado por drones

Desde as restrições ao fornecimento de armamento pesado à Ucrânia no final de 2023, os drones passaram a ser o principal instrumento de combate das forças ucranianas. Estimativas militares indicam que entre um quarto e metade das baixas russas resultam diretamente de ataques com drones, percentagem que, em algumas operações recentes, terá chegado a cerca de 90%.

A forte presença de drones no campo de batalha tem reduzido drasticamente o uso de veículos blindados por parte da Rússia. Tentativas recentes de ataques com colunas mecanizadas resultaram em pesadas perdas, após emboscadas combinando minas lançadas por drones, artilharia e ataques aéreos não tripulados, consolidando o papel central destes sistemas na evolução do conflito.

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