Drones intercetores, equipas móveis: Ucrânia constrói nova ‘cúpula antidrone’ para defesa dos ataques russos

De acordo com a publicação ‘Kyiv Post’, a Ucrânia está a sofrer com os bombardeamentos russos quase semanais que deixaram milhares de casas sem energia e aquecimento em Kiev e arredores, expondo as fragilidades das defesas aéreas do país

Francisco Laranjeira
Janeiro 20, 2026
13:48

As Forças Armadas da Ucrânia estão a implementar um modelo reformulado de defesa aérea, baseado em pequenas equipas móveis que utilizam drones intercetores, enquanto o país se prepara para novas ondas de ataques russos ao setor energético, afirmou o presidente Volodymyr Zelensky esta segunda-feira.

De acordo com a publicação ‘Kyiv Post’, a Ucrânia está a sofrer com os bombardeamentos russos quase semanais que deixaram milhares de casas sem energia e aquecimento em Kiev e arredores, expondo as fragilidades das defesas aéreas do país. No seu vídeo diário, Zelensky afirmou que a Força Aérea adotaria “uma nova abordagem” focada em grupos de fogo móveis, drones intercetadores e outros recursos de defesa aérea de curto alcance. “Este sistema será transformado”, garantiu o presidente ucraniano.

Como parte da reformulação, Zelensky anunciou a nomeação de Pavlo Yelizarov como novo vice-comandante da Força Aérea, colocando um dos comandantes de guerra com drones mais experientes da Ucrânia no comando do desenvolvimento do conceito e a sua expansão em todo o país.

Segundo o ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, Yelizarov supervisionará a expansão de pequenas unidades especializadas em intercetação de drones para uma rede nacional. “A nossa tarefa é construir uma cúpula antidrone sobre a Ucrânia – um sistema que não reaja depois do ocorrido, mas que destrua a ameaça ainda durante a sua aproximação”, disse Fedorov.

Os ataques aéreos russos aumentaram drasticamente em 2025. Segundo Fedorov, Moscovo lançou até 100 mil drones contra a Ucrânia no ano passado, danificando casas e infraestrutura crítica em todo o país. O ano também foi o mais letal para civis desde 2022, quando teve início a invasão em larga escala de Putin.

O presidente ucraniano afirmou também que resolver a crise energética é a sua principal prioridade, o que torna a sua viagem a Davos incerta, enquanto se trabalha em garantias de segurança e num plano de prosperidade mais amplo.

Fedorov acrescentou que uma unidade de drones da Guarda Nacional, anteriormente liderada por Yelizarov, destruiu mais de 13 mil milhões de dólares em equipamentos militares russos durante a guerra, sendo que a unidade de Yelizarov foi responsável por aproximadamente um em cada cinco tanques russos destruídos pelas forças ucranianas.

Ex-empresário e produtor de televisão, Yelizarov juntou-se à defesa territorial da Ucrânia após a Rússia lançar a sua invasão em grande escala em 2022. Posteriormente, transferiu-se para as Forças de Operações Especiais, onde começou a montar drones de combate, antes de formar sua própria unidade de drones – o Grupo Lasar – sob a Guarda Nacional.

Antes da guerra, Yelizarov produzia o programa de entrevistas políticas ‘Svoboda Slova’ (“Liberdade de Expressão”), que frequentemente adotava uma postura crítica em relação a Zelensky e ao seu partido Servo do Povo.

Zelensky afirmou no início deste mês que a Ucrânia recebeu um importante pacote de assistência para defesa aérea dos seus parceiros, mas observou que chegou num momento em que vários sistemas de mísseis terra-ar estavam “sem mísseis” – ressaltando a necessidade de métodos de intercetação mais baratos e rápidos.

Desde fevereiro de 2022, a Ucrânia expandiu rapidamente a produção nacional de drones, dependendo cada vez mais de UAVs intercetores para combater mísseis de cruzeiro russos, drones de ataque do tipo Shahed e plataformas de reconhecimento, a uma fração do custo dos mísseis terra-ar tradicionais.

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