Drahi volta à carga na Alemanha para vender fibra e aliviar dívida

Patrick Drahi voltou a colocar no mercado a sua participação de 50% na OXG Glasfaser, a rede de banda larga ultrarrápida na Alemanha criada em parceria com a Vodafone, numa nova tentativa de reduzir o pesado endividamento do grupo Altice.

Pedro Gonçalves
Janeiro 12, 2026
16:05

Patrick Drahi voltou a colocar no mercado a sua participação de 50% na OXG Glasfaser, a rede de banda larga ultrarrápida na Alemanha criada em parceria com a Vodafone, numa nova tentativa de reduzir o pesado endividamento do grupo Altice. O relançamento do processo de venda surge num momento de crescente pressão sobre o empresário franco-israelita para reestruturar um passivo que ultrapassa os 50 mil milhões de dólares a nível global.

Segundo informação avançada pelo Financial Times, Drahi enviou nas últimas semanas documentação preliminar a potenciais interessados, reativando um processo que já tinha sido tentado no início do ano passado, mas que então não chegou a avançar para uma fase formal de negociação. A OXG Glasfaser estará avaliada em cerca de dois mil milhões de euros, de acordo com estimativas da New Street Research.

A OXG Glasfaser foi lançada em março de 2023 como uma joint-venture entre a Altice e a operação alemã da Vodafone, sendo detida em partes iguais pelos dois grupos. Qualquer venda da posição da Altice exige, por isso, a aprovação da Vodafone, um factor que poderá dificultar um processo rápido de alienação. A operadora britânica recusou comentar o assunto.

Fontes próximas do dossiê admitem que fundos especializados em infraestruturas, como a Antin Infrastructure Partners — que perdeu para Drahi a corrida à criação da rede em 2023 —, poderão voltar a demonstrar interesse numa eventual aquisição, embora a Antin tenha optado por não comentar.

Investimento ambicioso com execução lenta
No momento da sua criação, a OXG comprometeu-se a investir sete mil milhões de euros ao longo de seis anos para levar fibra ótica a mais de sete milhões de casas na Alemanha. No entanto, a execução do projecto tem avançado de forma mais lenta do que o previsto. No final de 2025, a rede cobria apenas cerca de 500 mil habitações, apesar de se esperar uma aceleração do ritmo de expansão ao longo de 2026.

Apesar das reservas de alguns investidores relativamente a projectos de fibra na Alemanha, James Ratzer, analista da New Street Research, considera que a OXG apresenta características mais atractivas. “Estamos mais optimistas quanto à possibilidade de melhores retornos, tendo em conta o potencial para construir um monopólio de longo prazo”, afirmou.

Estratégia para reduzir um passivo elevado
O relançamento da venda da participação na OXG insere-se numa estratégia mais ampla de desinvestimentos destinada a reduzir a dívida acumulada pelo grupo Altice, resultado de uma agressiva política de aquisições financiadas por dívida ao longo da última década, avaliada em cerca de 60 mil milhões de dólares.

No último ano, Patrick Drahi conseguiu concluir uma reestruturação da dívida da Altice France, reduzindo o passivo de 24 mil milhões para 15,5 mil milhões de euros, após um acordo com credores que incluiu a venda de 45% da empresa. Um processo semelhante poderá vir a ser negociado para a Altice International, cuja dívida ronda os oito mil milhões de euros.

Venda de ativos em França, Portugal e noutros mercados
Paralelamente, Drahi tem vindo a explorar a alienação de outros ativos estratégicos. Em outubro, rejeitou uma proposta de 17 mil milhões de euros pela operadora francesa SFR, apesar de uma análise da New Street Research, citada pelo Financial Times, apontar para uma avaliação potencial de 21 mil milhões de euros. Está igualmente em curso a tentativa de venda da rede francesa de fibra XpFibre, colocada no mercado em setembro, com o objetivo de encaixar cerca de 10 mil milhões de euros.

No verão passado, surgiu ainda a indicação de que a Altice teria recebido uma proposta pela operadora israelita Hot Mobile, tendo sido assinado um memorando de entendimento com a principal concorrente, num negócio avaliado em cerca de 557 milhões de euros, que permanece sujeito a aprovação regulatória.

Em novembro, Patrick Drahi provocou forte tensão com os credores da Altice International ao transferir a maioria dos activos do grupo — incluindo operações em Portugal e na República Dominicana — para fora do perímetro de garantias associadas à dívida. A decisão foi interpretada por analistas como uma manobra de pressão antes de uma eventual reestruturação, destinada a reforçar a posição negocial do empresário.

A Altice não respondeu de imediato a pedidos de comentário sobre o relançamento da venda da participação na OXG Glasfaser.

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