Doença misteriosa no Congo pode ser malária, indicam especialistas em saúde

Nas últimas semanas, a doença misteriosa afetou 416 pessoas, causando 31 mortes em hospitais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)

Francisco Laranjeira
Dezembro 12, 2024
14:12

A doença misteriosa, que tem causado sintomas semelhantes aos da gripe e dezenas de mortes no sudoeste do Congo, pode ser malária, de acordo com as autoridades de saúde locais.

Nas últimas semanas, a doença misteriosa afetou 416 pessoas, causando 31 mortes em hospitais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O ministro da Saúde do Congo, Roger Kamba, relatou mais 44 mortes entre a comunidade, sendo que as crianças com menores de 14 anos foram afetadas desproporcionalmente, particularmente na remota região de Panzi, na província de Kwango, uma zona notória pelos recursos limitados de assistência médica.

Jean-Jacques Muyembe, diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica em Kinshasa, indicou à agência ‘Associated Press’ que nove das 12 amostras recolhidas de pessoas infetadas deram positivo para malária, alertando no entanto que a qualidade da amostra era má.

“Das 12 amostras recolhidas, nove foram positivas para malária, mas essas amostras não eram de muito boa qualidade, pelo que continuamos a pesquisar para descobrir se isso é uma epidemia. Mas é muito provável que seja malária porque a maioria das vítimas são crianças”, defendeu Muyembe. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, reconheceu uma ligação com a malária na maioria das amostras, ao mesmo tempo em que observou a possibilidade de múltiplas doenças em jogo.

Quais são os sintomas da doença misteriosa?

Os sintomas associados à doença misteriosa incluem febre, dores de cabeça, tosse e anemia, levantando preocupações sobre a infraestrutura médica limitada do Congo. Foram enviados especialistas da Equipa Nacional de Resposta Rápida do Congo e da OMS a Panzi na semana passada para recolher amostras e investigar, mas a localização remota — a mais de 700 quilómetros de Kinshasa — apresentou desafios logísticos.

Panzi, que já havia sido atingida por um surto de tifo há dois anos, enfrenta crises de saúde pública concomitantes, incluindo o ressurgimento da gripe sazonal, desnutrição generalizada e baixas taxas de vacinação, o que torna as crianças particularmente vulneráveis.

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