O descarrilamento de um comboio de alta velocidade no sul de Espanha, que provocou pelo menos 39 mortos e mais de 150 feridos, voltou a colocar sob escrutínio a segurança ferroviária na Europa. De acordo com a ‘Associated Press’, apesar de o transporte ferroviário ser uma opção comum, relativamente acessível e conveniente para milhões de europeus e turistas, os grandes acidentes continuam a ter um impacto devastador quando ocorrem.
Dados da União Europeia indicam que o número de acidentes ferroviários graves tem vindo a diminuir desde 2010. Ainda assim, o desastre registado em Espanha funciona como um lembrete da dimensão humana destas tragédias e da sua persistência ao longo das últimas décadas.
Uma sucessão de tragédias em vários países europeus
Segundo a ‘Associated Press’, nos últimos anos a Europa foi palco de vários acidentes ferroviários, de metro e de sistemas semelhantes que resultaram em dezenas ou mesmo centenas de vítimas mortais.
Em setembro de 2025, um popular elétrico em Lisboa descarrilou e embateu contra um edifício, provocando a morte de 16 pessoas e ferimentos em outras 21. Um relatório preliminar concluiu que um cabo subterrâneo, que funcionava como contrapeso entre os dois veículos do funicular, se encontrava em más condições e acabou por partir.
Em fevereiro de 2023, no norte da Grécia, um comboio de passageiros com centenas de pessoas colidiu a alta velocidade com um comboio de mercadorias que circulava em sentido contrário. O acidente, que originou um incêndio, causou 57 mortos. Uma investigação posterior apontou erro humano, infraestruturas obsoletas e falhas sistémicas graves.
Já em julho de 2016, dois comboios suburbanos colidiram frontalmente na região italiana da Apúlia, matando 31 pessoas e ferindo dezenas. A investigação concluiu que existiu uma falha de comunicação entre as estações de onde os comboios tinham partido.
Espanha e Bélgica entre os cenários mais marcantes
Espanha registou um dos acidentes ferroviários mais mortais da sua história recente em julho de 2013, quando um comboio de passageiros descarrilou numa curva perto de Santiago de Compostela. O desastre causou 80 mortos e 145 feridos. A investigação revelou que o comboio circulava a cerca de 179 quilómetros por hora num troço onde o limite era de 80 quilómetros por hora, acabando por embater contra um muro.
Na Bélgica, em fevereiro de 2010, dois comboios suburbanos colidiram nos arredores de Bruxelas durante a hora de ponta da manhã, depois de um deles ter ultrapassado um sinal vermelho. O acidente, o mais grave da história ferroviária do país, provocou 19 mortos e 171 feridos.
Explosões, túneis e falhas técnicas
Outros acidentes marcaram profundamente a memória coletiva europeia. Em junho de 2009, um comboio de mercadorias carregado com gás descarrilou na estação de Viareggio, perto de Lucca, em Itália, e explodiu, causando 32 mortos. As autoridades atribuíram a tragédia a deficiências na manutenção dos eixos do comboio.
Em julho de 2006, um comboio do metro de Valência, em Espanha, colidiu num túnel subterrâneo, provocando a morte de 43 pessoas e ferindo dezenas. Só 13 anos depois um tribunal considerou quatro gestores do sistema de metro culpados de homicídio por negligência, por não terem implementado medidas de segurança adequadas.
No mesmo ano, em janeiro, uma falha no sistema de travagem de um comboio em Montenegro levou ao seu descarrilamento e queda num desfiladeiro nos arredores de Podgorica. O acidente matou 45 pessoas, incluindo cinco crianças, e feriu 184, sendo considerado o pior desastre ferroviário da história do país.
Os piores desastres do final do século XX
Em novembro de 2000, um funicular na estância de Kaprun, na Áustria, incendiou-se dentro de um túnel, causando a morte de 155 pessoas, maioritariamente esquiadores que se dirigiam às pistas da montanha Kitzsteinhorn.
Um ano antes, em outubro de 1999, um comboio que partia da estação de Paddington, em Londres, ultrapassou um sinal vermelho e colidiu com um comboio de alta velocidade que circulava em sentido contrário. O acidente provocou 31 mortos e cerca de 400 feridos.
Em junho de 1998, na Alemanha, um comboio de alta velocidade que circulava a cerca de 200 quilómetros por hora colidiu com uma ponte em Eschede, causando o colapso da estrutura. O desastre matou 101 pessoas e feriu outras 100, tornando-se o acidente ferroviário mais mortal do país no período pós-guerra.














