Ao contrário de uma grande maioria dos praticantes de golfe em Portugal, Marco Tairum iniciou-se cedo neste desporto. Tinha 30 anos quando foi desafiado por amigos a experimentar e, desde esses primeiros momentos, a curiosidade pelo desporto foi despertada de tal forma que hoje é uma paixão.
«A minha primeira experiência foi no Centro Nacional de Formação de Golfe do Jamor». O passo seguinte foi seguir o percurso «normal» neste tipo de situações: aulas para aprender a técnica, treinos com regularidade e a estreia nos campos de 18 buracos, «uma experiência completamente diferente de estar apenas no driving range», conta. Aos poucos, o golfe foi ganhando importância na vida do CEO da imobiliária KW Portugal e, hoje, podemos escrever que é o seu outro lado do espelho.
Nascido na Suíça, neto e filho de emigrantes, Marco Tairum é formado em Gestão e Marketing pela Universidade Católica de Lisboa. O seu percurso profissional começou na consultora PwC, onde fez auditoria durante vários anos. Seguiu-se a Sonae, onde esteve seis anos em várias áreas. Começou no Departamento Comercial, na área de análise de dados, onde, recorda, «existia muita atenção para tomar decisões com base destes». Depois, transitou para a área comercial propriamente dita, onde recorda o 1 de maio de 2012, no qual a sua concorrência da altura, o Pingo Doce, fez um dia de grandes descontos que levou milhares às lojas do Grupo Jerónimo Martins e que marcou o retalho alimentar em Portugal.
A última experiência na Sonae foi na direção internacional, onde foi responsável pela internacionalização da marca Meu Super, trabalhando o business plan da retalhista. Em 2018, e de forma inesperada, ingressou na imobiliária Keller Williams, conta. A partir de 2020, durante a pandemia de COVID-19, foi convidado para gerir as operações da imobiliária e, mais tarde, assumiu a direção-geral da empresa, uma das maiores a operar no mercado português.
À Executive Digest, Marco Tairum fala sobre a perceção que existe de o golfe ser um desporto praticado por um público mais sénior: «é muito genérico e terá o seu quê de verdade, mas a imagem de praticantes mais velhos poderá ter a ver com o que se passa em Portugal e não tanto no resto do mundo. Nos Estados Unidos, o golfe é um desporto muito praticado nas universidades, por exemplo», sublinha, lançando uma crítica: «o que acontece no golfe é o mesmo que acontece em grande parte de outros desportos em Portugal — não existe investimento por parte do Governo e continuamos muito focados apenas no futebol. Para além disso, os campos de golfe têm uma manutenção com custos elevados e o preço para praticar o desporto é elevado, e isso faz com que seja praticado, de forma mais consistente e regular, por quem tem maior poder de compra».
Trabalho e Golfe
Atualmente, por questões profissionais e familiares, Tairum confessa que não tem praticado com tanta regularidade como na altura em que participava em torneios em várias zonas de Portugal. Apesar de o treino já não ser tão exaustivo como outrora, diz que reserva sempre uma tarde durante a semana, ou mesmo ao fim de semana, para investir no seu desporto de eleição — e regressar ao Belas Clube de Campo, o local onde joga a maior parte das vezes.

O golfe serve-lhe também como referência para o dia a dia profissional. «É um desporto que exige um nível de concentração muito grande, e onde o principal adversário somos nós. Claro que, em competição, lida-se com outros jogadores, mas, na realidade, é o próprio jogador que é responsável pela forma como bate a bola, pelas tacadas e pela sua automotivação». Explica que, por isso, o desporto o ajudou na capacidade de foco e disciplina, «algo que é fundamental para qualquer empresário que queira ter sucesso». Outro fator importante que une desporto e liderança empresarial é a preparação mental: «por muito que nos preparemos para grandes momentos — seja num torneio, numa reunião profissional importante, numa negociação ou numa reunião de comissão executiva — só quando lá estamos é que temos a noção real das nossas condições». Tairum faz também a ligação do golfe com a gestão pela disciplina necessária para melhorar e para ter «capacidade e jogo de cintura para decidir na hora e rapidamente».
Gestor Polidesportivo
Ainda no desporto, o responsável pela KW Portugal tem outra paixão, mais antiga do que o golfe: o ténis. Desporto que joga desde pequeno e no qual chegou a ser federado durante algum tempo. «Há quem diga que quem jogou ténis no passado tem alguma apetência para o golfe, por causa da coordenação que é necessária entre a raqueta ou o taco e uma bola. Pode ter sido isso que também me tenha influenciado». Aliás, desde que foi pai, tem regressado aos courts de ténis com alguma frequência: «havendo menos disponibilidade em termos horários para jogar golfe, por causa dos filhos, o ténis permite jogar com mais frequência, pois ocupa menos tempo».
Além disso, ainda inclui o ginásio na sua rotina semanal: «é fundamental para o meu bem-estar. É algo que, nos últimos dois anos, tenho introduzido de forma consistente e, seja qual for o desporto, a sua prática tem sempre muitos benefícios — não só do ponto de vista da saúde, mas também do ponto de vista da disponibilidade mental ou até física para o mundo profissional».
Regressando ao golfe, Marco Tairum gostava de partilhar a sua paixão com os filhos, uma forma que considera ideal para conjugar o tempo familiar com o desporto. «A evolução que pretendo é, a par com o crescimento dos filhos, poder voltar a praticar o desporto com mais regularidade. Quem sabe se com isso virá também a participação em mais torneios — mas não com o objetivo de ganhar, mas mais pelo convívio entre amigos. A parte social é muito importante no golfe. Por isso, aumentar a frequência dos momentos em que vou praticar este desporto durante o ano, em conjunto com momentos de lazer e socialização, é um dos meus objetivos».
















