Do Afeganistão à Palestina: mulheres que desafiaram a guerra para construir a paz reúnem-se hoje em Lisboa

Mesa-redonda, organizada pelo Centro Internacional de Diálogo (KAICIID), em parceria com o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal e a Rede Internacional de Ação da Sociedade Civil (ICAN), realiza-se esta terça-feira sob o tema “Promover a Paz Inclusiva: Liderança Feminina na Construção da Paz e no Diálogo”

Executive Digest
Setembro 30, 2025
8:00

Vinte e três mulheres de 21 países afetados por conflitos, incluindo Afeganistão, Ucrânia, Palestina e Sudão do Sul, vão reunir-se em Lisboa para partilhar as suas experiências na construção da paz. Reconhecidas internacionalmente pelo seu papel em contextos de violência extrema, estas mulheres demonstram como a fé, o diálogo e o envolvimento cívico podem transformar comunidades, influenciar políticas e salvar vidas.

A mesa-redonda, organizada pelo Centro Internacional de Diálogo (KAICIID), em parceria com o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal e a Rede Internacional de Ação da Sociedade Civil (ICAN), realiza-se esta terça-feira sob o tema “Promover a Paz Inclusiva: Liderança Feminina na Construção da Paz e no Diálogo”.

O encontro junta as 23 mulheres construtoras da paz com decisores políticos e representantes do Governo português. Estarão presentes, entre outros, o secretário-geral interino do KAICIID, António de Almeida Ribeiro, a secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Inês Carmelo Domingos, e a fundadora e CEO da ICAN, Sanam Naraghi-Anderlini.

Realizado no Palácio das Necessidades, o encontro liga as histórias e estratégias de quem constrói a paz no terreno às decisões políticas tomadas ao mais alto nível. A mensagem é clara: a paz só é sustentável quando reflete a diversidade de vozes das comunidades que a vivem todos os dias.

Um momento simbólico para a agenda WPS

O encontro assinala os 25 anos da Resolução 1325 da ONU, que pela primeira vez reconheceu o papel essencial das mulheres na resolução de conflitos. Um quarto de século depois, muitas continuam afastadas das decisões, enfrentam barreiras sociais e políticas e veem o seu espaço de ação cada vez mais reduzido.

Lisboa será, por isso, palco de um momento simbólico de reafirmação da liderança das mulheres como elemento essencial para a construção da paz e da segurança globais. O encontro reforça a agenda internacional WPS e dá visibilidade ao impacto real das iniciativas que nascem no terreno.

Portugal em destaque

Num contexto de tensões globais crescentes, o mundo olha para a forma como os Estados apoiam a paz e defendem os direitos humanos. Para Portugal, este encontro é também uma oportunidade de afirmar liderança e de traduzir compromissos internacionais em ação concreta.

Portugal é candidato a membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU (2027–2028) e, desde o início de 2025, é signatário do Compromisso Comum do Secretário-Geral da ONU para a Participação das Mulheres, assumindo medidas concretas para:

– integrar especialistas em género em processos de mediação;
– nomear mais mulheres como mediadoras principais;
– definir metas claras de participação significativa das mulheres;
– consultar organizações da sociedade civil lideradas por mulheres em todas as fases dos processos de paz.

Ao acolher esta iniciativa em Lisboa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros reforça os compromissos internacionais de Portugal e afirma o papel do país como construtor de pontes entre comunidades locais e os espaços de decisão política.

“Agora, mais do que nunca, o diálogo deve ser uma ferramenta de liderança. Ao reunir experiências locais e decisões políticas, esta mesa-redonda valoriza as estratégias das mulheres na linha da frente da paz e inspira políticas de coesão, igualdade e convivência”, salientou o secretário-geral interino do KAICIID, António de Almeida Ribeiro.

Preservar a memória e inspirar futuras gerações

As experiências recolhidas serão posteriormente publicadas em livro, numa iniciativa coordenada pela ICAN, de forma a preservar a memória deste percurso e garantir que as abordagens destas mulheres possam inspirar novas gerações.

“Este projeto não é apenas um registo histórico: é um ato de reconhecimento e de valorização”, apontou fundadora e CEO da ICAN, Sanam Naraghi-Anderlini, MBE. “As mulheres construtoras da paz continuam, em todo o mundo, a liderar com coragem, empatia e visão. É tempo de o mundo as ouvir com atenção.”

O legado de Lisboa: da experiência local à política global

O encontro abre caminho a novas colaborações entre Portugal, o KAICIID e a ICAN, com o compromisso de converter o que foi partilhado em Lisboa em ação concreta. O desafio é traduzir estas práticas e testemunhos em políticas públicas e novos programas de paz a nível internacional.

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