Dividendos pagos por empresas portuguesas crescem 8% em 2026 e atingem 3,4 mil milhões de euros

As empresas portuguesas cotadas incluídas no índice STOXX Europe 600 deverão pagar cerca de 3,4 mil milhões de euros em dividendos em 2026, um crescimento de 8% face a 2025, de acordo com o Estudo de Dividendos 2026 da Allianz Global Investors.

André Manuel Mendes
Janeiro 14, 2026
10:22

As empresas portuguesas cotadas incluídas no índice STOXX Europe 600 deverão pagar cerca de 3,4 mil milhões de euros em dividendos em 2026, um crescimento de 8% face a 2025, de acordo com o Estudo de Dividendos 2026 da Allianz Global Investors.

Este desempenho coloca Portugal acima da média europeia, num contexto em que os dividendos no conjunto da Europa deverão crescer cerca de 4%.

No total, as empresas europeias que integram o STOXX Europe 600 deverão distribuir 454 mil milhões de euros em dividendos em 2026, mais 17 mil milhões do que em 2025. A AllianzGI antecipa que a tendência de crescimento se mantenha, com perspetivas ainda mais favoráveis a partir de 2027, impulsionadas pela recuperação dos lucros empresariais.

“A tendência altista dos dividendos na Europa mantém-se. Ainda que o crescimento em 2026 seja idêntico ao de 2025, esperamos um avanço mais significativo em 2027, impulsionado pelo aumento dos lucros das empresas europeias em 2026”, adianta Grant Cheng, gestor de carteiras da AllianzGI. “Para 2026, prevemos uma tendência em baixa no pagamento de dividendos no segmento de consumo discricionário, que inclui, entre outros, os setores automóvel e de bens de luxo, em resultado de lucros empresariais mais baixos em 2025. Pelo contrário, estes vão continuar a subir no setor financeiro, que deverá manter-se o maior pagador de dividendos além de 2026.”

 

Setor financeiro impulsiona crescimento em Portugal

Por setores, o estudo aponta para uma continuação do crescimento dos dividendos no setor financeiro, que deverá manter-se como o maior pagador de dividendos na Europa. Em contraste, o setor do consumo discricionário, que inclui áreas como o automóvel e os bens de luxo, deverá registar uma descida, refletindo resultados empresariais mais fracos em 2025.

 

Rentabilidade por dividendo acima da média europeia

A rentabilidade por dividendo esperada para as empresas portuguesas incluídas no STOXX Europe 600 é de 4,3% em 2026, acima da média europeia estimada em 3,2%. Este nível torna Portugal um dos mercados mais atrativos para investidores focados em rendimento, num contexto em que a rentabilidade das ações se aproxima da oferecida por instrumentos de dívida de longo prazo, como as obrigações do Tesouro alemão a 15 anos.

 

Dividendos como “segunda fonte de rendimento”

O estudo sublinha ainda o papel dos dividendos como uma componente essencial – e muitas vezes subestimada – da rentabilidade total das ações. Nos últimos 40 anos, os dividendos representaram cerca de 39% do retorno total anualizado das ações europeias.

“Os dividendos contribuem significativamente para a rentabilidade total e, graças à sua política de distribuição firme, também trazem estabilidade à carteira. De facto, as carteiras compostas por empresas com maiores rácios de distribuição de dividendos apresentam menor volatilidade do que aquelas compostas por empresas com baixos dividendos”, explica o Dr. Hans-Jörg Naumer, autor do estudo e Diretor de Mercados de Capitais e Análise Temática da AllianzGI.

Num contexto de mudanças demográficas e económicas profundas, a AllianzGI conclui que os dividendos assumem um papel crescente como “segunda fonte de rendimento”, podendo complementar objetivos financeiros de longo prazo como a reforma, a educação ou o lazer.

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