Um ataque armado em plena luz do dia, com recurso a metralhadoras, voltou a colocar em evidência a presença do Primeiro Comando da Capital, o PCC, em Portugal. O episódio ocorreu na passada terça-feira, pouco depois das 16 horas, na Charneca da Caparica, em Almada, quando uma dupla abriu fogo contra um automóvel de alta cilindrada, um Audi RS3, que acabou crivado de balas. O condutor conseguiu escapar por escassos segundos e pediu ajuda à GNR.
Segundo o ‘Correio da Manhã’, as autoridades acreditam que o ataque não se tratou de uma simples tentativa de ‘carjacking’. A principal linha de investigação aponta para um ajuste de contas ligado ao tráfico de droga, com ligações diretas ao PCC, grupo criminoso brasileiro que se encontra fortemente implantado em Portugal. O inquérito passou entretanto para a alçada da Polícia Judiciária.
Cerca de duas horas depois do ataque, e ainda no mesmo dia, foram encontradas duas viaturas totalmente carbonizadas numa zona rural do Poceirão, em Faias, Pegões. Uma delas terá sido usada pela dupla armada envolvida no ataque na Charneca da Caparica. No interior do carro foi encontrado um carregador de uma metralhadora, reforçando a suspeita de que os veículos foram incendiados com o objetivo de destruir provas.
De acordo com o jornal diário, a Polícia Judiciária realizou perícias no local e recolheu vários vestígios que poderão permitir identificar e localizar os autores do ataque, que continuam em fuga.
A proprietária do terreno onde os carros foram encontrados relatou ter ouvido explosões no interior de uma das viaturas enquanto ardia. As autoridades admitem que a queima dos automóveis foi deliberada e visou eliminar qualquer rasto que pudesse comprometer os suspeitos.
Portugal como refúgio do PCC
O caso surge num contexto de crescente preocupação das autoridades com a presença do PCC em território nacional. Portugal é atualmente o país europeu com maior número de membros do Primeiro Comando da Capital fora do Brasil, segundo dados do Ministério Público de São Paulo. Esta realidade transformou o país num ponto estratégico para a fação criminosa, tanto como base logística como refúgio para elementos procurados pela Justiça brasileira.
No último ano, a Polícia Judiciária deteve 24 indivíduos condenados ou procurados no Brasil, todos ligados ao PCC. Entre os casos mais mediáticos está o de Ygor Daniel Zago, identificado como um dos principais cabecilhas da organização na Europa, que foi localizado a viver num condomínio de luxo em Cascais. O suspeito encontrava-se em fuga há cerca de dez anos e utilizava um passaporte italiano.
O ataque na Charneca da Caparica surge, assim, como mais um sinal da atividade do PCC em Portugal, num momento em que as autoridades admitem que o país se tornou o principal ponto de fixação da organização criminosa no espaço europeu.





