Um dos diques de proteção do rio Mondego, em Coimbra, colapsou esta tarde na zona da ponte dos Casais, provocando o corte integral da A1 nos dois sentidos de circulação e agravando a já delicada situação de cheias na região Centro.
A rutura ocorreu junto a São João do Campo, nas imediações de um viaduto da principal autoestrada portuguesa. A água invadiu a área envolvente, obrigando à interrupção imediata do tráfego rodoviário numa das ligações mais importantes entre Lisboa e Porto.
De acordo com as informações apuradas, trata-se sobretudo de uma zona de campos agrícolas, não havendo, para já, habitações diretamente em risco.
O trânsito está cortado entre o entre o nó de Coimbra Norte e Coimbra Sul, em ambos os sentidos, confirmou a Brisa.
Em comunicado a BCR — Brisa Concessão Rodoviária, precisou que o corte da via se localiza entre os quilómetros 198 e 189, “em ambos os sentidos, devido a um incidente”.
Proteção Civil já tinha alertado para risco elevado de rutura
O colapso acontece horas depois de a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) ter identificado o Mondego como o ponto mais crítico do país em matéria de cheias.
O comandante nacional, Mário Silvestre, tinha avisado que a situação em Coimbra era a “mais preocupante”, precisamente devido ao “risco significativo de poder existir alguma rutura num dos diques”.
“São 30 quilómetros de diques, desde a zona de Coimbra até à Figueira da Foz”, explicou, numa conferência de imprensa realizada na sede da ANEPC, em Carnaxide.
Segundo o responsável, as populações das zonas ribeirinhas foram previamente alertadas e foi montado um plano de contingência. “As zonas de concentração e acolhimento da população já estão montadas e preparadas para receber essas pessoas”, afirmou, acrescentando que foi dada prioridade à evacuação de pessoas idosas, incluindo lares de terceira idade localizados nas áreas mais vulneráveis.
Cheias vão continuar mesmo com menos chuva
Apesar de a precipitação poder diminuir nos próximos dias, o comandante sublinhou que o perigo não desaparece. O problema, disse, resulta sobretudo do efeito acumulado da água nos rios e nas barragens.
A continuação das cheias deverá dever-se “não à precipitação em si, mas pelo impacto que tem nos cursos de água e nas barragens”.
“[Importa] alertar as populações que os fenómenos meteorológicos que estamos a viver [ainda] não passaram, eles são persistentes, têm um impacto muito significativo na vida e na normalidade das pessoas, sobretudo das pessoas que vivem nas zonas ribeirinhas”, reforçou.
Os caudais encontram-se “muito acima daquilo que é expectável”, havendo linhas de água que “não corriam com a dimensão que têm há mais de 20 anos”.
Além do Mondego, a Proteção Civil mantém vigilância apertada nos rios Tejo, Sorraia, Vouga, Águeda e Sado, onde também existe “risco significativo de inundações”.




