Dinamarca fecha a porta a Trump e rejeita negociar a Gronelândia

Reação de Copenhaga foi imediata, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Lars Løkke Rasmussen, a afirmar de forma categórica que “não pode ser”, segundo o ’20Minutos’

Francisco Laranjeira
Janeiro 21, 2026
17:04

A Dinamarca rejeitou esta quarta-feira qualquer hipótese de negociar o futuro da Gronelândia, depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter insistido na intenção de adquirir a ilha durante o seu discurso no Fórum Económico Mundial, em Davos. A reação de Copenhaga foi imediata, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Lars Løkke Rasmussen, a afirmar de forma categórica que “não pode ser”, segundo o ’20Minutos’.

Rasmussen sublinhou que não se negociam territórios, mas sim entre pessoas, recordando que a Dinamarca respeita os acordos que assume. Embora tenha acolhido positivamente a declaração de Trump de que não pretende recorrer à força militar na Gronelândia, advertiu que isso não resolve o problema. O ministro salientou que a ambição do presidente americano se mantém intacta, uma vez que Trump continua a questionar a capacidade dinamarquesa de garantir a segurança da ilha.

Segurança no Ártico como questão da NATO

O Governo dinamarquês reiterou que a segurança no Ártico é uma questão que diz respeito à NATO no seu conjunto, e não apenas aos Estados Unidos. A posição oficial mantém-se inalterada, apesar das declarações feitas horas antes por Trump, nas quais afirmou que não utilizaria meios militares, mas que iniciaria imediatamente negociações para a aquisição da maior ilha do mundo, de acordo com o ’20Minutos’.

No discurso em Davos, Trump voltou a justificar a sua posição com argumentos históricos e estratégicos. Disse respeitar o povo da Gronelândia e da Dinamarca, mas afirmou que nenhuma aliança ou grupo de países consegue garantir a segurança da ilha, exceto os Estados Unidos. Recordou a presença americana durante a II Guerra Mundial e defendeu que Washington acabou por “entregar” o controlo do território a Copenhaga após o conflito.

Argumentos estratégicos e críticas à Aliança Atlântica

Trump descreveu a Gronelândia como um território vasto, com pouca infraestrutura e situado entre a China, a Rússia e os Estados Unidos, argumentando que a ilha é essencial por razões de segurança. Negou que o interesse esteja ligado a recursos naturais, como terras raras, e voltou a afirmar que a Gronelândia deveria passar para controlo americano.

O presidente dos EUA aproveitou ainda a intervenção para criticar a NATO, afirmando que os Estados Unidos “não ganham nada” com a Aliança e que nunca receberam contrapartidas. Apesar de reafirmar que não recorrerá à força, insistiu que uma eventual aquisição da Gronelândia não representaria uma ameaça à NATO, mas antes um reforço da segurança de toda a Aliança.

Trump concluiu reiterando que todos os países da NATO têm a obrigação de defender o seu próprio território, defendendo que, na prática, apenas os Estados Unidos têm capacidade para garantir a segurança da Gronelândia. As declarações voltaram a provocar desconforto entre aliados europeus e a endurecer a posição de Copenhaga.

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