Depressão Ingrid: Proteção Civil reforça alertas, deixa conselhos à população e revela que vai enviar 10 milhões de SMS de aviso

As autoridades realizaram, ao início desta tarde, uma conferência de imprensa para alertar a população para o agravamento significativo das condições meteorológicas nos próximos dias, na sequência da passagem da depressão Ingrid por Portugal continental.

Pedro Gonçalves
Janeiro 22, 2026
14:54

As autoridades realizaram, ao início desta tarde, uma conferência de imprensa para alertar a população para o agravamento significativo das condições meteorológicas nos próximos dias, na sequência da passagem da depressão Ingrid por Portugal continental. Neve em vários distritos, vento forte, precipitação intensa e agitação marítima severa configuram um cenário de risco elevado, sobretudo nas regiões Norte e Centro, levando à adoção de medidas excecionais de prevenção e à ativação de um estado de prontidão especial em quase todo o país.

A intervenção foi iniciada por Nuno Lopes, do IPMA, que sublinhou que estão previstas quedas de neve em vários distritos do continente, incluindo zonas onde este fenómeno é menos comum. Segundo explicou, na sexta-feira as cotas de neve deverão descer para os 600 e, pontualmente, para os 400 metros de altitude, “podendo nevar a outras altitudes”. A esta situação associa-se uma agitação marítima “muito forte”, com ondas entre os sete e os nove metros, o que poderá provocar “desabamentos de costa”. Acrescem ainda períodos de vento forte, que deverão abrandar temporariamente, mas regressar na sexta-feira e no sábado, bem como precipitação intensa, com “aguaceiros fortes no sábado e no domingo”.

O comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, alertou para a existência de “um conjunto de riscos potenciais significativos”, destacando a queda de neve e a possibilidade de galgamento costeiro. Segundo explicou, algumas aldeias ou lugares poderão ficar isolados devido à neve, situação que poderá ter “repercussão no socorro a essas populações”. Nesse sentido, recomendou que se evite ao máximo a circulação rodoviária nas zonas afetadas e admitiu a possibilidade de encerramento de escolas, creches e equipamentos semelhantes, com o objetivo de reduzir o risco associado às deslocações. As autoridades aconselham ainda a avaliação da realização de espetáculos, eventos culturais e atividades que impliquem concentração de pessoas nas áreas mais expostas.

Mário Silvestre anunciou igualmente que o país ficará em alerta de prontidão especial, com exceção do Alentejo, e deixou um aviso claro à população para que evite deslocações à orla costeira, devido à ondulação prevista. A agitação marítima deverá ser um dos fenómenos mais severos associados à depressão Ingrid, com impacto significativo ao longo da costa ocidental.

A Guarda Nacional Republicana também detalhou as medidas preventivas já adotadas. Face às previsões meteorológicas, a GNR ativou um plano de monitorização e prevenção, com o aviso prévio às suas unidades sobre as condições esperadas e a mobilização de viaturas e meios para localidades de difícil circulação. Está igualmente a ser feita uma vigilância específica sobre a circulação de viaturas pesadas de transporte de mercadorias e de pessoas, bem como sobre o transporte de doentes, idosos e pessoas com necessidades especiais. A força de segurança disponibilizou 34 equipas em regime de prevenção imediata, que se manterão operacionais até ao fim do aviso especial de prontidão.

Um dos principais pontos destacados na conferência de imprensa foi o reforço da comunicação direta com a população. As autoridades anunciaram que será emitido um documento de aviso à população e que, nas próximas horas, a Proteção Civil irá enviar mensagens SMS de alerta, numa operação que resultará no envio de mais de 10 milhões de mensagens para telemóveis em todo o país. O objetivo é garantir que a informação e os conselhos de autoproteção chegam ao maior número possível de pessoas, de forma rápida e eficaz.

Este conjunto de medidas surge num contexto de instabilidade meteorológica prolongada. De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, a situação deverá agravar-se a partir da tarde de quinta-feira, com a entrada de um sistema frontal associado à depressão Ingrid. Estão previstos períodos de chuva por vezes forte, que evoluirão para aguaceiros, localmente acompanhados de granizo e trovoada, cenário que deverá prolongar-se até domingo. A precipitação poderá cair sob a forma de neve nas terras altas, inicialmente acima dos 800 metros, descendo para os 600 metros entre sexta-feira e sábado, com acumulações significativas nas serras do Norte e Centro.

O vento será outro fator de risco relevante, intensificando-se a partir do final da tarde de quinta-feira, com rajadas que poderão atingir os 70 a 80 km/h no litoral e os 100 km/h nas terras altas, aumentando o risco de queda de árvores e estruturas. No mar, estão previstas ondas de noroeste com seis a oito metros de altura significativa, podendo a altura máxima atingir os 15 metros, levando à emissão de avisos laranja para vários distritos costeiros.

As autoridades apelam à máxima prudência, recomendando a redução de deslocações, especial cuidado em zonas montanhosas e costeiras e o acompanhamento permanente das informações oficiais, nomeadamente através dos avisos meteorológicos e das mensagens SMS que serão enviadas nas próximas horas.

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