Portugal deverá enfrentar um novo agravamento das condições meteorológicas já na próxima terça-feira, poucos dias depois da passagem da depressão Leonardo. A informação foi avançada pelo presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que revelou ter recebido indicações do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) sobre a aproximação de uma nova tempestade atlântica, que poderá receber o nome Marta.
Depois de dias marcados por chuva intensa, inundações, estradas cortadas e milhares de clientes sem eletricidade, o país deverá beneficiar de uma curta pausa no fim de semana. No entanto, esse alívio será temporário.
Segundo Pimenta Machado, o IPMA transmitiu-lhe que, já esta quinta-feira, “vai haver muita chuva nas regiões Norte e Centro”, antecipando ainda que “no fim-de-semana há um alívio e no domingo já quase não chove”. Ainda assim, deixou um aviso claro: “Alívio é a palavra-chave”, porque “a partir de terça-feira o estado do tempo volta a agravar-se”.
Leonardo deixa cheias, danos e milhares sem energia
A nova previsão surge numa altura em que o país ainda sente dos efeitos da depressão Leonardo, que, apesar de menos violenta do que a tempestade Kristin da semana anterior, voltou a provocar estragos significativos.
Durante a madrugada de quarta-feira, a Proteção Civil registou mais de uma centena de ocorrências, sobretudo relacionadas com cheias e deslizamentos de terras. A chuva foi particularmente intensa nas regiões Centro e Sul.
Na Grande Lisboa, em Oeiras, a Ribeira da Laje galgou as margens, provocando inundações, condicionamentos rodoviários e o corte de ruas, além de ter deixado o jardim municipal parcialmente submerso. Em Almada, a queda de um muro destruiu pelo menos quatro viaturas.
Também a zona ribeirinha do Tejo, em Alhandra e Vila Franca de Xira, foi afetada pela subida das águas, que invadiram ruas e avenidas.
Alentejo e Centro continuam sob pressão
Mais a sul, o Alentejo voltou a enfrentar estradas cortadas e cheias dispersas, num contexto de solos já saturados. Nos arredores da Vidigueira, houve relatos de localidades isoladas, enquanto as descargas nas barragens da Fonte Serne e de Campilhas, em Santiago do Cacém, foram reforçadas devido ao volume de precipitação.
Alcácer do Sal voltou a registar inundações na baixa da cidade e a circulação ferroviária foi suspensa em Grândola.
Na região Centro, houve dificuldades de circulação em várias vias, incluindo troços da Estrada Nacional 347, entre Montemor-o-Velho e Alfarelos.
Apesar de menos severa do que Kristin, a depressão Leonardo deixou ainda um impacto relevante na rede elétrica. Cerca de 93 mil clientes permanecem sem energia, com maior incidência em Leiria (63 mil), Santarém (15 mil), Castelo Branco (seis mil) e Coimbra (três mil). Em Vila de Rei, mais de 90% do fornecimento já foi reposto.
Chuva acumulada, vento forte, neve e mar agitado
De acordo com os mapas de referência meteorológica, a precipitação associada a Leonardo tem sido persistente e abundante, reforçada por um rio atmosférico carregado de humidade proveniente das Caraíbas.
Até sábado, os distritos do Norte e Centro mais expostos ao efeito orográfico — como Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real e Aveiro — poderão registar acumulados entre 150 e 200 milímetros, com valores superiores em zonas montanhosas.
Entre os rios Mondego e Tejo, e a sul deste último, várias áreas deverão somar entre 100 e 150 milímetros, incluindo Portalegre, Coimbra, Leiria, o litoral alentejano, o Alentejo Central e partes do Algarve.
Mantém-se elevado o risco de cheias, inundações, deslizamentos de terras e derrocadas.
O mau tempo inclui ainda vento forte, com rajadas que poderão atingir ou ultrapassar os 75 km/h em grande parte do território, chegando aos 100 ou 110 km/h nas terras altas do Norte e Centro. Está também prevista queda de neve na Serra da Estrela e noutras serras do Norte e Centro, com a cota a poder descer para os 900/1000 metros.
No litoral, a agitação marítima poderá gerar ondas com cinco a seis metros de altura significativa, não sendo excluídos picos máximos até 12 metros.
Nova depressão poderá chamar-se Marta
Mesmo após a passagem de Leonardo, o padrão atmosférico instável deverá manter-se. Os modelos meteorológicos apontam para a chegada de novas frentes a partir de domingo, associadas a outra depressão atlântica.
Caso cumpra os critérios definidos, a tempestade receberá o nome Marta.
Segundo o IPMA, são atribuídos nomes a todas as depressões que originem avisos de vento laranja ou vermelho — isto é, com rajadas a partir de 91 km/h — no sistema internacional de alertas. Portugal integra o grupo Sudoeste, juntamente com Espanha, França, Bélgica, Luxemburgo e Andorra, sendo o primeiro serviço a emitir o aviso responsável por nomear a tempestade.
Na lista oficial para a época 2025/2026, após Leonardo, o próximo nome previsto é precisamente Marta.
Com o país ainda a recuperar dos efeitos das últimas intempéries, as autoridades pedem acompanhamento atento das previsões e adoção de comportamentos preventivos, numa semana em que o descanso meteorológico deverá ser curto.














