Da economia à imigração: sondagem revela que britânicos consideram que Brexit piorou tudo no seu país

De acordo com o ‘The Independent’, o estudo indica também que os eleitores europeus estariam dispostos a receber novamente o Reino Unido na União Europeia, um dado que poderá aumentar a pressão política sobre o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer

Francisco Laranjeira
Janeiro 6, 2026
15:08

A maioria dos eleitores britânicos acredita que o Brexit piorou a situação do Reino Unido, da economia à imigração, e deixou o país com menos controlo sobre o seu próprio destino. A conclusão resulta de uma nova investigação internacional que aponta para um profundo desencanto britânico com os efeitos da saída da União Europeia.

De acordo com o ‘The Independent’, o estudo indica também que os eleitores europeus estariam dispostos a receber novamente o Reino Unido na União Europeia, um dado que poderá aumentar a pressão política sobre o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, para reaproximar Londres de Bruxelas, uma década depois do referendo que ditou a saída.

Menos controlo, economia fragilizada e promessas falhadas

A sondagem, realizada pela ‘Yonder Data Solutions’ para a FGS Global, envolveu cerca de 20 mil pessoas em 27 democracias, incluindo os EUA e vários países europeus. Entre os britânicos, 72% afirmam que o país tem hoje menos controlo sobre os seus assuntos do que antes do Brexit, contrariando diretamente o principal argumento usado pelos seus defensores. Apenas 15% consideram que a promessa de “retomar o controlo” foi cumprida.

O impacto económico surge como uma das principais fontes de descontentamento. Dois terços dos inquiridos dizem que o Brexit prejudicou a economia britânica, enquanto apenas 22% acreditam que teve um efeito positivo. A maioria dos eleitores considera ainda que os alertas feitos durante a campanha do referendo sobre consequências negativas acabaram por se confirmar.

Imigração e fronteiras longe das expectativas

Também na imigração, o balanço é amplamente negativo. Apenas 22% dos britânicos acreditam que a saída da UE trouxe maior controlo sobre as fronteiras, enquanto 66% discordam dessa ideia. Muitos eleitores admitem ter sido induzidos em erro pelas promessas de que o Brexit resolveria a pressão migratória.

A perceção negativa não se limita ao Reino Unido. Na União Europeia, menos de um em cada cinco eleitores considera que a UE ficou melhor sem os britânicos, e 66% defendem que o Reino Unido deveria regressar ao bloco comunitário.

Apesar do pessimismo generalizado, os britânicos continuam divididos quanto a um eventual regresso à União Europeia. Quando questionados diretamente, 50% defendem a reentrada, contra 38% que se opõem. No entanto, quando a pergunta é formulada no sentido inverso, quase metade concorda que o Reino Unido não deveria voltar a aderir, revelando a sensibilidade do tema à forma como é colocado.

Desencanto com a democracia e jovens mais desiludidos

O estudo traça ainda um retrato sombrio das expectativas em relação ao futuro. Apenas 14% dos britânicos acreditam que os melhores anos do país ainda estão por vir, enquanto 67% dizem que ficaram para trás. Sete em cada dez consideram que o Reino Unido está a seguir na direção errada.

Entre os mais jovens, o desencanto é mais acentuado. A Geração Z britânica mostra níveis elevados de desconfiança na democracia, com quase um em cada cinco a admitir preferir líderes autoritários em detrimento de governantes eleitos. Ainda assim, a maioria continua a apoiar o sistema democrático, uma tendência mais forte entre os eleitores mais velhos.

A investigação conclui que esta desilusão não é exclusiva do Reino Unido, apontando para uma perceção global de enfraquecimento da democracia e para a ideia generalizada de que o sistema político beneficia sobretudo elites económicas e políticas.

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