Crise política: Mais de 70% dos franceses quer demissão de Macron, revela sondagem

A mais recente sondagem publicada pelo instituto Odoxa-BackBone Consulting para o Le Figaro indica que 70% dos franceses estão “muito” ou “bastante” favoráveis à demissão do presidente Emmanuel Macron, refletindo o crescente descontentamento popular e político com a crise governativa que atinge França.

Pedro Gonçalves
Outubro 7, 2025
16:36

A mais recente sondagem publicada pelo instituto Odoxa-BackBone Consulting para o Le Figaro indica que 70% dos franceses estão “muito” ou “bastante” favoráveis à demissão do presidente Emmanuel Macron, refletindo o crescente descontentamento popular e político com a crise governativa que atinge França. O inquérito revela ainda que 87% dos inquiridos consideram Macron “total ou parcialmente responsável” pela instabilidade política que o país atravessa, agravada pela recente demissão do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, apenas 27 dias após assumir o cargo.

O desagrado com o presidente francês estende-se além da opinião pública. Entre as fileiras políticas e mesmo dentro do seu partido, Renascimento, o descontentamento é cada vez mais audível. O ex-primeiro-ministro Gabriel Attal, uma das figuras mais próximas de Macron até há poucos meses, afirmou: “Já não entendo as decisões do presidente da República”. Attal, que renunciou em julho de 2024 após as eleições antecipadas que deixaram a Assembleia Nacional fragmentada, considerou ainda que o chefe de Estado “dá a impressão de querer manter o controlo de forma implacável”.

Também Edouard Philippe, outro antigo primeiro-ministro e líder do partido centrista Horizontes, juntou-se às vozes críticas. Esta terça-feira, Philippe apelou abertamente a Macron para que “planeie a sua renúncia” e convoque eleições presidenciais antecipadas logo após a aprovação de um orçamento de emergência para 2026.

Macron enfrenta terceira crise governativa em pouco mais de um ano
Em apenas 13 meses, Macron viu três primeiros-ministros abandonarem o cargo. O mais recente, Sébastien Lecornu, deixou o Governo mergulhado em nova turbulência política. O presidente francês, contudo, manteve-se em silêncio público sobre a crise. De acordo com fontes próximas do Eliseu, Macron instou Lecornu a tentar, num prazo de 48 horas, construir uma “plataforma de ação e estabilidade” que permita salvar o executivo.

O chefe de Estado terá confidenciado ao seu círculo mais próximo que está disposto a “assumir as suas responsabilidades” caso até quarta-feira à noite não se encontre uma solução consensual dentro da coligação de centro-direita. Esta desmoronou-se na sequência da retirada do apoio do líder dos Republicanos, Bruno Retailleau, que afirmou ter “perdido a confiança” em Lecornu devido à nomeação do macronista Bruno Le Maire como ministro da Defesa — uma escolha “ocultada” até ao último momento.

Reações partidárias e propostas para resolver a crise
Depois de recusar integrar o Governo, Retailleau pediu uma reunião bilateral com Lecornu e admitiu manter “as portas abertas” a uma possível participação dos Republicanos num futuro executivo de coabitação. O primeiro-ministro demissionário convidou todos os partidos a uma reunião no Palácio de Matignon esta terça-feira para encontrar uma saída negociada, mas enfrentou logo de início a rejeição de Marine Le Pen e Jordan Bardella, líderes da União Nacional (antiga Reunião Nacional), que defenderam a convocação imediata de novas eleições legislativas.

De acordo com o mesmo inquérito da Odoxa-BackBone, 60% dos franceses apoiam uma nova dissolução da Assembleia Nacional, enquanto apenas 20% acreditam que a crise pode ser resolvida com a nomeação de um novo primeiro-ministro. Apesar das críticas centradas em Macron, os inquiridos também atribuem responsabilidades à coligação de centro-direita (85%) e aos partidos da oposição (77%) pela atual paralisia política.

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