A banca nacional avançou com um conjunto alargado de medidas extraordinárias de apoio às famílias e empresas afetadas pelos danos provocados pela depressão Kristin, com linhas de financiamento bonificadas, moratórias, isenção de comissões e soluções de apoio à tesouraria.
Os bancos que atuam em território nacional já anunciaram as medidas colocadas à disposição das empresas e famílias portuguesas afetadas, entre elas:
Caixa Geral de Depósitos
A Caixa Geral de Depósitos anunciou um pacote global de 300 milhões de euros, montante que poderá ser reforçado, com implementação imediata. As medidas abrangem crédito à habitação para obras e reabilitação com spread de 0%, isenção de comissões, moratórias até seis meses e soluções específicas para empresas, incluindo carência de capital e taxas bonificadas. O banco público prevê ainda apoios no crédito ao consumo, cartões de crédito e financiamento à tesouraria das empresas.
Novobanco
Também o novobanco lançou duas linhas de crédito bonificadas, num total de 100 milhões de euros, destinadas a famílias e empresas. As soluções incluem financiamento hipotecário para reparação de habitações e crédito para reposição da atividade empresarial, com spread zero e isenção de comissões. “Queremos estar ao lado de quem foi diretamente afetado, contribuindo para uma recuperação mais rápida e sustentável”, sublinha Mark Bourke, CEO do novobanco.
Crédito Agrícola
O Crédito Agrícola disponibilizou um pacote extraordinário dirigido a particulares, empresas, associações e IPSS, com linhas de financiamento bonificado e moratórias de capital até 12 meses. Para as famílias, o banco destaca crédito pessoal com taxa fixa de 2,50% e soluções específicas no crédito à habitação para reconstrução, enquanto para as empresas estão previstas linhas de investimento e apoio à tesouraria, com carências alargadas e isenção de comissões.
Santander Portugal
Já o Santander Portugal anunciou condições especiais de financiamento, incluindo crédito hipotecário para obras com spread de 0% no primeiro ano e isenção de comissões, bem como crédito pessoal com taxa bonificada. O banco está também a operacionalizar moratórias em articulação com o Governo e o Banco Português de Fomento, reforçando ainda a sua presença nas regiões mais afetadas com horários alargados e ações no terreno. “Estamos a contactar proactivamente os nossos clientes para assegurar uma resposta rápida”, afirma Isabel Guerreiro, vice-presidente do Santander Portugal.
ABANCA
O ABANCA disponibilizou igualmente uma linha de apoio financeiro para clientes particulares e empresas afetados, abrangendo a reparação de habitações, substituição de viaturas e reposição da atividade económica, bem como uma linha específica de apoio a colaboradores impactados pelos eventos meteorológicos.
Bankinter Portugal
Por sua vez, o Bankinter Portugal avançou com medidas de apoio às famílias e empresas, incluindo financiamento pessoal e para obras de reabilitação com condições bonificadas e isenção de comissões, além de prioridade e celeridade na análise de operações de crédito para empresas. O banco está também a prestar apoio reforçado no acionamento de seguros e no acompanhamento de sinistros.
Com estas iniciativas, a banca procura mitigar os impactos económicos da tempestade Kristin, apoiar a recuperação das regiões mais afetadas e assegurar a estabilidade financeira das famílias e a continuidade da atividade empresarial.
BPI
O BPI juntou-se às instituições que manifestaram disponibilidade para apoiar famílias e empresas afetadas pela depressão Kristin, garantindo estar preparado para avançar com moratórias nos créditos, embora a aplicação das medidas dependa ainda da aprovação do enquadramento legal pelo Governo. À margem da apresentação de resultados, João Pedro Oliveira e Costa indicou que o regime a aplicar deverá replicar o modelo das moratórias implementadas durante a pandemia, sublinhando que a banca aguarda apenas a definição dos critérios legais para avançar. “Se for um copy-paste do regime da covid, os bancos já sabem o que aí vem”, afirmou, acrescentando que o BPI só aplicará as medidas assim que as condições estejam formalmente publicadas.
Banco de Portugal
Em paralelo com a resposta da banca comercial, o Banco de Portugal anunciou que está preparado para proceder à troca de notas danificadas em consequência da tempestade Kristin. O supervisor esclarece que o serviço de valorização de notas é gratuito e permite recuperar o respetivo contravalor, desde que sejam cumpridos os critérios aplicáveis na área do euro. Só há direito a reembolso se as notas forem genuínas e for possível reconstituir mais de 50% do numerário ou, em alternativa, se for apresentada prova da destruição da parte em falta. As notas podem ser entregues nas tesourarias do Banco de Portugal em Lisboa, Porto, Braga, Viseu, Coimbra, Évora, Faro, Funchal e Ponta Delgada, ou enviadas por correio registado com valor declarado. Em 2025, o banco central valorizou cerca de 40 mil notas danificadas, devolvendo 1,8 milhões de euros aos cidadãos.







