Covid-19: Portugal retoma uso da AstraZeneca. Infarmed pede atenção a sintomas

A decisão foi anunciada na quinta-feira em conferência de imprensa conjunta com o diretor do Infarmed, a diretora geral da saúde e o coordenador da task-force de vacinação.

Simone Silva
Março 22, 2021
6:00

Portugal retoma esta segunda-feira a vacinação contra a Covid-19 com a vacina da AstraZeneca. A decisão foi anunciada na quinta-feira em conferência de imprensa conjunta com o diretor do Infarmed, a diretora geral da saúde e o coordenador da task-force de vacinação.

O presidente do Infarmed, Rui Ivo, começou por revelar que os peritos fizeram uma análise da vacina que mostra que “os benefícios são superiores aos riscos” e que “não há relação clara com os coágulos sanguíneos”. De seguida o coordenador da task-force, Gouveia e Melo adiantou que “o plano foi posto em pausa, mas vai ser retomado já na segunda-feira”.

Professores vacinados no último fim de semana de março 

O mesmo responsável referiu ainda, relativamente ao número de vacinas que a AstraZeneca tinha previsto para o segundo trimestre, «eram cerca de 4,4 milhões e foram reduzidas para 1,5 milhões”, disse, sublinhando que os planos “já estão adaptados par essa quantidade de vacinas”.

“Em principio para além de fazermos o arranque da vacinação, os docentes serão vacinados no fim de semana seguinte”, ou seja, a 27 e 28 de março, adiantou o almirante Gouveia e Melo.

Cerca de 120 mil pessoas ficaram por vacinar

Adicionalmente, Gouveia e Melo revelou que com a pausa da vacina ficaram por vacinar cerca de 120 mil pessoas, contudo garante que essa falha será recuperada em cerca de uma semana, “como se nada estivesse acontecido”.

“Vamos recuperar rapidamente a vacinação e vacinar para além destas 120 mil pessoas. Mais uma semana e temos o plano recuperado como se não tivéssemos feito nenhuma pausa”, afirmou.

O coordenador da task-force explicou ainda que Portugal tem reservas para segundas doses. “Não temos reservas estratégicas”, disse, acrescentando: “O que nós fazemos é: todas as vacinas que chegam são administradas imediatamente para antecipar a proteção de todos os portugueses. As reservas que temos são de segundas doses e essas nunca poderemos comprometer”, referiu.

Decisão tomada em prol da “saúde pública”

Graça Freitas, diretora geral da saúde, disse que a decisão de suspender a vacinação foi tomada por uma questão de “saúde pública e de precaução”. “Na dúvida fez-se uma pausa que como seu viu é facilmente recuperável, não vai impactar significativamente o esforço de vacinação”, adiantou.

“Feita uma avaliação entre os benefícios e os riscos da vacinação, quando decidimos pôr uma vacina a circular é porque ela nos dá garantias de que é segura, eficaz e tem qualidade e por isso se uma pessoa for elegível para uma vacina, deve aceitá-la”, afirmou.

O anúncio da retoma surgiu horas depois de a Agência Europeia do Medicamento (EMA) ter revelado que a vacina contra a covid-19 da AstraZeneca é “segura e eficaz” e “não está associada a um maior risco de coágulos sanguíneos”. Desde aí vários países tomaram a mesma decisão de Portugal.

DGS pede que os portugueses não recusem a vacina

A diretora geral da saúde pediu aos portugueses que não recusem a vacina da AstraZeneca, ou qualquer outra. Recusar a vacina? “é uma hipótese que as pessoas não devem colocar”. “O apelo que nós fazemos aos portugueses é que ponderem muito bem antes de recusar. A alternativa é ficarem desprotegidos de uma doença grave que pode ser letal”, referiu.

Segundo a responsável, “se a vacina for oferecida a uma pessoa, seja qual for a marca da vacina, deve ser aceite”, defendeu deixando assim o conselho à população. “Quando decidimos colocar uma vacina no mercado, é porque ela nos dá garantias”, indicou Graça Freitas.

Infarmed deixa recomendações para a toma da vacina

A Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) emitiu uma circular com alertas aos profissionais de saúde e aos cidadãos sobre a vacina da AstraZeneca contra a covid-19, mas reiterou que os seus benefícios superam os riscos.

“Muito embora se trate de ocorrências muito raras, o comité [de segurança da EMA] recomendou que o resumo das características do medicamento e o folheto informativo desta vacina seja atualizado para incluir mais informação sobre estes riscos, em simultâneo com a distribuição de uma comunicação aos profissionais de saúde para os alertar para a possibilidade remota de ocorrência de alterações da coagulação” do sangue dos vacinados, adianta a circular.

Perante isso, a EMA e o Infarmed alertam os profissionais de saúde para estarem atentos à possibilidade de ocorrência de “casos de tromboembolismo, nomeadamente de coagulação intravascular disseminada ou de trombose dos seios venosos cerebrais”, em pessoas vacinadas, especialmente nos sete a 14 dias após vacinação e particularmente em mulheres com menos de 55 anos.

Além disso, os profissionais de saúde devem também alertar as pessoas vacinadas para procurarem assistência médica de imediato caso detetem sintomas de tromboembolismo e especialmente sinais de trombocitopenia e de coágulos sanguíneos cerebrais, como hematomas ou sangramento fácil e cefaleia persistente ou intensa, especialmente durante os primeiros três dias após a vacinação.

Para as pessoas vacinadas, o Infarmed alerta que devem procurar de imediato um médico, caso detetem um dos seguintes sintomas após a vacinação: falta de ar, dor no peito ou estômago, inchaço ou frio nos braços ou pernas, dor de cabeça intensa ou que se agrava ou visão turva, hemorragia persistente e múltiplos e pequenos hematomas, manchas avermelhadas ou arroxeadas ou vesículas com sangue sob a pele.

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