A Comissão Europeia propôs recentemente a criação de um passaporte de vacinação, que permite que a população viaje com toda a segurança dentro do bloco. Contudo, a medida não foi bem aceite por dois especialistas ouvidos pelo ‘Expresso’, que a consideram inútil e com risco de ficar desatualizada.
Para Luís Delgado, imunologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), este tipo de passaportes «não fazem cientificamente sentido nenhum», refere. «Estar a especular sobre a imunidade conferida pela vacina e pôr isso num passaporte vacinal não faz o mínimo sentido médico», sublinha ao mesmo jornal.
«O problema», explica, «tem a ver com as estirpes emergentes [do vírus]». «Até podemos ter um passaporte muito bonito e eletrónico para que possamos circular, mas o documento é para deitar ao lixo mal apareça uma variante não protegida pela vacina» e «rapidamente se podem tornar completamente obsoletos», defende.
Adicionalmente, o especialista destaca questões éticas, que podem conduzir a atos discriminatórios. «Imagine que eu recebi uma vacina cuja taxa de eficácia é mais elevada e que você recebeu uma que tem uma proteção mais baixa. E depois como é? Vamos ter passaportes de primeira e de segunda categoria?», questiona citado pelo ‘Expresso’.
Por sua vez, Pedro Simas, virologista e investigador principal do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa é da mesma opinião de que «os certificados de imunidade vão ter uma duração muito curta», no entanto, a sua justificação é outra.
Os passaportes em questão «podem ser úteis agora no início, até que tenhamos os grupos de risco imunizados», admite, ressalvando contudo que «não fazem muito sentido», isto porque «a pandemia vai ser resolvida rapidamente, nos próximos três ou quatro meses», considera em declarações ao mesmo jornal
«Estes certificados, a partir do momento em que se atinge o objetivo de proteger os grupos de risco e deixa de haver um problema, vão ter uma longevidade muito curta, até porque não protegem contra nada», defende o especialista.







