A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen revelou aos líderes do bloco que já foram exportadas 21 milhões de doses da vacina contra a covid-19 para o Reino Unido desde dezembro, depois de serem produzidas em países europeus, avança o diário The Guardian.
Numa cimeira virtual dos 27 chefes de Estado e de Governo, a dirigente política usou o seu discurso para destacar a dependência do governo britânico dos fornecimentos de vacinas da União Europeia.
Assim, a responsável revelou que cerca de 77 milhões de doses produzidas na UE foram enviadas para 33 países desde 1 de dezembro. Destes, 21 milhões foram para o Reino Unido e cerca de um milhão eram da AstraZeneca, com o restante a ser fornecido pela Pfizer.
Posteriormente, numa publicação através do Twitter, a responsável revelou os mesmos dados de 77 milhões de vacinas enviadas a 33 países e referiu ainda que, «como principal doador da COVAX, (a UE) contribuiu para as exportações para países de baixos e médios rendimentos. Embora permaneça aberta, a UE precisa de garantir que os europeus recebem uma parte justa das vacinas», escreveu.
The EU has exported 77 million doses of vaccines to 33 countries since 1 December 2020.
In addition, as a lead donor to COVAX, it has contributed to exports to low & middle income countries.
While remaining open, the EU needs to ensure Europeans get a fair share of vaccines. pic.twitter.com/9TbTxAuFxk
— Ursula von der Leyen (@vonderleyen) March 25, 2021
Estas declarações surgem depois de a Comissão ter bloqueado na quarta-feira as exportações de vacinas para países com um histórico melhor do que o bloco na vacinação de sua população, o que agravou ainda mais as relações com o Reino Unido, que já não é membro da UE.
Em causa está o reforço do mecanismo de autorização de exportações de vacinas contra a covid-19 para fora do bloco, que a Comissão anunciou ontem, introduzindo os princípios da reciprocidade e da proporcionalidade e abrangendo 17 países anteriormente isentos.
Trata-se de um reforço do mecanismo de transparência e de autorização para exportações de vacinas contra a covid-19 aprovado em janeiro passado devido à incapacidade de produção para a UE, num esforço do executivo comunitário para assegurar o acesso atempado a estes fármacos (nomeadamente o da Astrazeneca, envolto em polémicas de distribuição).
A instituição anunciou que “introduziu os princípios de reciprocidade e proporcionalidade como novos critérios a serem considerados”, por ter verificado que, apesar de o sistema ter “melhorado significativamente a transparência das exportações” nas últimas semanas, “ainda não foi atingido o objetivo de assegurar atempadamente vacinas contra a covid-19 para os cidadãos da UE”.
Em concreto, o novo regulamento sobre este mecanismo, hoje aprovado pelo colégio de comissários, prevê que na avaliação do impacto de uma planeada exportação de fabricantes de vacinas com as quais a Comissão Europeia tem acordos de compra antecipada para a UE tenha em conta o princípio da reciprocidade, isto é, se o país de destino restringe as suas próprias exportações de vacinas ou das suas matérias-primas.
Está também estipulado que nesta equação pese o princípio da proporcionalidade, ou seja, se as condições no país de destino de tais fármacos são melhores ou piores do que as da UE, no que toca à situação epidemiológica, taxa de vacinação e acesso a vacinas.














