A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) reúne este sábado, em Coimbra, o seu Conselho Nacional para analisar a situação crítica do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e traçar estratégias de negociação urgente que permitam fixar médicos no setor público. O encontro decorre entre as 10h00 e as 16h00, na Rua de Tomar, n.º 5-A.
A reunião surge num contexto de forte contestação dos profissionais à política do Governo liderado por Luís Montenegro. No 46.º aniversário do SNS, celebrado a 14 de setembro, a FNAM acusou o executivo de manter o “subfinanciamento crónico”, empurrar médicos para fora do setor público e “abrir espaço aos privados”, lembrando que estão em curso anúncios de investimentos privados na ordem dos mil milhões de euros.
Em comunicado então divulgado, a federação sublinhou que “a saúde não pode ser gerida com lógicas de produção nem com incentivos que tratam os médicos como peças descartáveis”. Para a FNAM, a qualidade dos cuidados exige “tempo, estabilidade e profissionais valorizados — não horas extraordinárias sem fim, nem objetivos impostos como numa fábrica”.
Os médicos criticam ainda a falta de atualização do salário-base face às responsabilidades da profissão. “Continuamos a ser chamados a ‘aguentar o serviço’, mas sem condições dignas para o fazer. É por isso que cada vez mais médicos abandonam o SNS”, referiu a estrutura sindical, acrescentando que “sem carreiras estáveis e atrativas, não haverá futuro para o SNS”.
A FNAM reforça que “os médicos têm sido o pilar de um SNS que resiste, mas resistir não basta. É preciso reconstruir”. Por isso, exige ao Governo “a abertura imediata de negociações sérias, para garantir condições justas para os médicos e um SNS capaz de responder a todos”. Como conclui a federação, “o tempo está a esgotar-se”.




