Congressistas americanos aterram hoje em Copenhaga para apoiar Dinamarca em plena tensão com Trump

Visita, liderada pelo senador democrata Chris Coons, do Delaware, contará com pelo menos nove membros do Congresso, incluindo senadores e representantes democratas e republicanos

Executive Digest
Janeiro 16, 2026
6:45

Uma delegação bipartidária e bicameral do Congresso dos Estados Unidos desloca-se esta sexta-feira a Copenhaga numa tentativa de reafirmar a aliança entre Washington e a Dinamarca, num momento de crescente tensão diplomática em torno da Gronelândia, após novas declarações do presidente americano, Donald Trump, sobre a possibilidade de os EUA assumirem o controlo do território ártico.

A visita, liderada pelo senador democrata Chris Coons, do Delaware, contará com pelo menos nove membros do Congresso, incluindo senadores e representantes democratas e republicanos, entre os quais o republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte. A delegação estará na capital dinamarquesa até sábado, antes de alguns dos seus membros seguirem para o Fórum Económico Mundial, em Davos.

Durante a passagem por Copenhaga, os congressistas deverão reunir-se com responsáveis dos Governos da Dinamarca e da Gronelândia, bem como com líderes empresariais, com o objetivo declarado de sublinhar mais de dois séculos de cooperação política, económica e de segurança entre os dois países aliados da NATO. A deslocação pretende também sinalizar apoio político explícito à soberania dinamarquesa e ao princípio da autodeterminação da Gronelândia.

A iniciativa surge num contexto de agravamento das tensões, depois de Donald Trump ter voltado a defender publicamente que os EUA devem “tomar a Gronelândia”, admitindo a preferência por um acordo, mas sem afastar outras opções. A Casa Branca tem vindo a admitir a análise de vários cenários, incluindo soluções de força, o que levou Copenhaga e Nuuk a endurecer o discurso político.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que uma eventual tomada americana da Gronelândia colocaria em causa os fundamentos da NATO. Também o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, e os líderes dos restantes partidos do parlamento local emitiram recentemente uma declaração conjunta, reafirmando que o futuro do território cabe exclusivamente ao seu povo e manifestando rejeição face à postura de Washington.

A visita do Congresso ocorre ainda no rescaldo de declarações de Pequim, que acusou os EUA de usarem a Gronelândia como “pretexto” para prosseguir interesses estratégicos no Ártico. A China, que se autodefine desde 2018 como um “Estado quase Ártico”, insiste que as suas atividades na região respeitam o direito internacional, rejeitando a narrativa americana de contenção da influência chinesa e russa

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