Companhias aéreas devem 145 milhões de euros a passageiros por atrasos e cancelamentos até setembro

As companhias aéreas que operam em Portugal devem cerca de 145 milhões de euros em indemnizações aos passageiros afetados por atrasos e cancelamentos de voos nos primeiros nove meses de 2025.

Revista de Imprensa
Outubro 24, 2025
10:01

As companhias aéreas que operam em Portugal devem cerca de 145 milhões de euros em indemnizações aos passageiros afetados por atrasos e cancelamentos de voos nos primeiros nove meses de 2025. A operação nos aeroportos nacionais continua sob forte pressão, agravada pela falta de recursos humanos e pelas greves no setor do handling, fatores que contribuíram para o aumento das disrupções, sobretudo no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.

De acordo com dados da AirHelp citados pelo Diário de Notícias (DN), entre janeiro e setembro partiram 187 mil voos dos aeroportos portugueses, dos quais 36% registaram irregularidades, um aumento de 11% face ao mesmo período do ano anterior. No total, 9,5 milhões de passageiros foram afetados — mais 10% do que em 2024 — e 364 mil destes têm direito a compensação ao abrigo do Regulamento Europeu CE 261/2004, que prevê indemnizações médias de 400 euros por pessoa.

O advogado Pedro Miguel Madaleno, especialista em direitos dos passageiros aéreos da AirHelp, destacou o agravamento da situação em Lisboa, onde 44,3% dos voos sofreram perturbações até setembro, face aos 39% de 2024. “O aumento significativo das perturbações no aeroporto Humberto Delgado foi impulsionado pela enorme pressão sistémica e pelos problemas laborais na principal porta de entrada do país”, explicou, sublinhando a falta de pessoal nas tripulações, no handling e no controlo de fronteiras. As greves dos trabalhadores da SPdH/Menzies, iniciadas em julho, tiveram um “impacto massivo e mensurável”, com atrasos generalizados e filas que chegaram às duas horas e meia.

Apesar do caos na Portela, os aeroportos do Porto e de Faro registaram ligeiras melhorias, com as taxas de disrupção a cair para 29% e 20,8%, respetivamente. Segundo Madaleno, esta “maior resiliência operacional” deveu-se à menor pressão do tráfego e à capacidade de gestão mais eficiente. Ainda assim, Lisboa continua a ser o epicentro das dificuldades, “incapaz de acompanhar o aumento do volume de passageiros”, alertou o especialista.

Em termos europeus, Portugal é o terceiro país com mais passageiros afetados por disrupções, apenas atrás da Grécia e da Alemanha. Entre janeiro e setembro, 30,7% dos voos operados nos aeroportos nacionais registaram atrasos ou cancelamentos. No que diz respeito às companhias aéreas, a TAP liderou com 42,9% dos voos afetados, seguida pela Ryanair e pela easyJet.

Os problemas poderão prolongar-se até ao final do ano. A implementação do novo sistema europeu de controlo de fronteiras, o Entry/Exit System (EES), desde 12 de outubro, tem causado longas filas no aeroporto de Lisboa e atrasos acrescidos na verificação de passageiros extracomunitários. A chegada da época festiva de Natal e Ano Novo, tradicionalmente marcada por um aumento acentuado do tráfego, deverá testar novamente a capacidade das infraestruturas.

Ainda assim, o movimento de passageiros mantém uma trajetória ascendente: até agosto, os aeroportos nacionais movimentaram quase 50 milhões de passageiros, um crescimento de 4,9% face ao ano anterior, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Pedro Miguel Madaleno prevê uma “estabilidade controlada até dezembro”, mas alerta para a possibilidade de novas greves. “O clima de paz social não é garantido e qualquer instabilidade no período de Natal será mais sentida”, concluiu.

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