Como começam os terramotos? Mecanismo oculto descoberto em novo estudo

Estudo, liderado por Jay Fineberg e a equipa da Universidade Hebraica de Jerusalém (Israel) e publicado na revista ‘Nature’, desafiou ideias antigas sobre a formação de sismos e oferece esperança para melhores previsões no futuro.

Francisco Laranjeira
Fevereiro 22, 2025
17:00

Os cientistas detetaram um mecanismo oculto que pode explicar como começam os terramotos: um estudo científico ofereceu uma nova perspetiva sobre como um movimento lento e gradual leva ao tremor explosivo que se sente durante os eventos sísmicos.

O estudo, liderado por Jay Fineberg e a equipa da Universidade Hebraica de Jerusalém (Israel) e publicado na revista ‘Nature’, desafiou ideias antigas sobre a formação de sismos e oferece esperança para melhores previsões no futuro.

Os investigadores descobriram como o lento “avanço assísmico” desencadeia terramotos poderosos – estes ocorrem quando duas placas tectónicas, grandes pedaços de crosta terrestre, se movem uma contra a outra. Inicialmente, essas placas ficam presas em certo ponto ao longo das suas bordas, causando aumento de pressão.

Ora, com o tempo, essa pressão torna-se grande demais para ser suportada pelas placas, o que leva a uma rutura repentina e ao tremor violento associado aos terramotos. Mas a pergunta que os cientistas procuraram responder foi o que causa essa transição de movimento lento para uma força repentina e destrutiva, a velocidades próximas à velocidade do som? É isso que faz a Terra tremer. “A questão é como a natureza cria a fenda que então se torna um terramoto?”, indicou Fineberg.

A equipa de cientistas, apontou a publicação ‘LiveScience’, descobriu que, antes da rutura das placas, há um processo lento e quase indetetável em ação. Esse processo, conhecido como “assísmico”, dá-se quando as placas se movem lentamente, sem qualquer tremor percetível. O movimento, embora silencioso, pode ser um passo crucial para desencadear um terramoto.

Para entender melhor como funciona esse processo, os investigadores utilizaram plexiglass em experiências de laboratório, onde foi aplicada pressão a imitar as forças que atuam em placas tectónicas. Os cientistas descobriram que quando a pressão aumenta formam-se fendas no material. No entanto, não surgem instantaneamente – em vez disso, o material primeiro experimenta um movimento lento e rastejante, semelhante ao deslizamento assísmico observado em falhas no mundo real.

Conforme continua o movimento de rastejamento, as fendas começam a crescer. Eventualmente, esse movimento lento atinge um ponto de rutura onde a fenda acelera, causando uma rutura rápida – essa libertação repentina de energia é o que leva a um terramoto. Segundo os especialistas, a energia necessária para criar essa rutura acumula-se lentamente ao início, mas quando excede um certo limite, é libertada rapidamente, como a explosão de uma mola.

Através de modelos matemáticos avançados e experiências de laboratório, os investigadores conseguiram mostrar que o movimento lento inicial não liberta qualquer energia ao redor. No entanto, uma vez que a fenda cresce além de um certo ponto, o excesso de energia é libertado, causando o tremor repentino.

De acordo com os investigadores, ao monitorizar o movimento lento e gradual das falhas, os cientistas poderiam identificar quando um terramoto está prestes a acontecer, dando às pessoas mais tempo para se preparar.

No entanto, Fineberg e a sua equipa agora estão a tentar detetar sinais da transição de assísmico para sísmico. “No laboratório, podemos observar essa coisa a desdobrar-se e podemos ouvir os ruídos que ela faz”, disse. “Então, talvez possamos descobrir o que realmente não se pode fazer numa falha real, porque não há informações detalhadas sobre o que um terramoto está a fazer até que exploda.”

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