A Colômbia, cujo presidente, Gustavo Petro, é um crítico ferrenho da guerra às drogas liderada pelos Estados Unidos, pediu esta terça-feira às Nações Unidas para remover a coca – o principal ingrediente da cocaína – da lista de substâncias nocivas.
Utilizada não apenas para a cocaína, a folha de coca também é mascada como estimulante em países como a Colômbia, Peru, Bolívia e Equador, ou transformada em chá que se acredita que pode combater o mal da altitude. No entanto, segundo a ministra dos Negócios Estrangeiros colombiana, Laura Sarabia, num discurso à comissão da ONU sobre narcóticos em Viena, a folha “em si não é prejudicial à saúde”.
Removê-lo da lista de narcóticos nocivos da ONU de 1961, onde está ao lado da cocaína e da heroína, permitiria que fosse usado em “todo o seu potencial em aplicações industriais, como fertilizantes e bebidas”, explicou, salientando que a legalização era a única maneira de impedir que os traficantes de drogas monopolizassem a planta, forçando as comunidades rurais a cultivá-la para eles e destruindo florestas para o seu cultivo.
Laura Sarabia anotou ainda que os milhares de milhões de dólares gastos na chamada ‘guerra às drogas’ não fizeram nada para impedir o consumo, a produção e o tráfico: na verdade, o número de utilizadores recreativos de cocaína aumentou em mais de 50 milhões numa década.
A Colômbia é o maior produtor mundial de cocaína – grande parte da sua produção está nas mãos de cartéis de drogas e grupos guerrilheiros violentos. Em 2023, o país sul-americano estabeleceu um novo recorde para o cultivo de folhas de coca e produção de cocaína, que aumentou 53%, de 1.738 para 2.600 toneladas, de acordo com a ONU.














