Cientistas soam o alarme: IA pode facilitar construção de armas biológicas com potencial pandémico

Um grupo internacional de especialistas em tecnologia e contraterrorismo alertou que as ferramentas de inteligência artificial hoje disponíveis — e as que estão a emergir — já poderiam ser utilizadas para criar uma arma biológica capaz de iniciar uma nova pandemia global.

Pedro Gonçalves
Dezembro 3, 2025
18:27

Um grupo internacional de especialistas em tecnologia e contraterrorismo alertou que as ferramentas de inteligência artificial hoje disponíveis — e as que estão a emergir — já poderiam ser utilizadas para criar uma arma biológica capaz de iniciar uma nova pandemia global. O aviso surge após uma reunião que, no início do ano, juntou alguns dos maiores peritos mundiais em IA e biossegurança para analisar um cenário hipotético considerado cada vez mais plausível.

Durante o encontro, promovido pela Nuclear Threat Initiative e pela Munich Security Conference em fevereiro, os 14 especialistas convidados trabalharam sobre um exercício que simulava uma pandemia global originada por uma nova estirpe de enterovírus desenvolvida intencionalmente por um grupo extremista através de ferramentas de inteligência artificial. Apesar de parecer um argumento retirado de ficção científica, os peritos concluíram que este cenário já é tecnicamente possível face ao ritmo acelerado do avanço tecnológico.

O relatório produzido após a reunião indica que a pandemia fictícia teria causado 850 milhões de infeções e 60 milhões de mortes em todo o mundo — um resultado que os especialistas classificaram como “profundamente preocupante e digno de ação a curto prazo”. O documento reforça que as capacidades da IA para acelerar a investigação biológica também podem ser exploradas por atores maliciosos, reduzindo barreiras que antes dificultavam o desenvolvimento de armas biológicas.

A inteligência artificial já está a revolucionar o setor da saúde, permitindo acelerar o desenvolvimento de novos medicamentos e vacinas. Contudo, os especialistas sublinham que o mesmo poder tecnológico que promete avanços médicos pode, nas mãos erradas, ser utilizado para criar agentes patogénicos perigosos e altamente transmissíveis, com potencial para provocar danos globais significativos.

O grupo alertou ainda que a rápida evolução das ferramentas de IA está a “erodir barreiras ao desenvolvimento de armas biológicas por atores maliciosos”, tornando possível, com ferramentas já existentes ou prestes a surgir, criar novos agentes patogénicos com risco de pandemia. Os especialistas avisaram que estas ameaças “não estão distantes no futuro” e que devem ser encaradas como perigos concretos.

Além da possibilidade técnica de criação de novos patógenos, o relatório denuncia que as medidas de segurança atuais são “claramente insuficientes” para lidar com ameaças biológicas potenciadas por IA. Segundo os participantes, existe uma lacuna significativa na preparação global para enfrentar este tipo de riscos emergentes.

Perante este diagnóstico, os especialistas defenderam uma cooperação mais estreita entre líderes mundiais para avaliar e responder a ameaças biológicas impulsionadas por inteligência artificial. Apelaram também a que a mitigação dos riscos não comprometa o avanço científico, sublinhando a necessidade de equilibrar segurança e inovação: é essencial gerir as ameaças “sem impor restrições indevidas” ao progresso tecnológico.

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