Cientistas desenvolvem terapia que torna quimioterapia 20 mil vezes mais eficaz e sem efeitos secundários

Nova abordagem, baseada em nanotecnologia, promete tratamentos mais eficazes e com menos efeitos secundários

Executive Digest
Novembro 4, 2025
15:41

Um grupo de cientistas da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, alcançou um avanço significativo na terapia oncológica ao redesenhar a estrutura molecular de um medicamento quimioterápico tradicional, tornando-o 20 mil vezes mais potente. A nova abordagem, baseada em nanotecnologia, promete tratamentos mais eficazes e tudo isso sem causar efeitos colaterais percetíveis.

De acordo com a equipa da Northwestern, o fármaco foi recriado do zero como um ácido nucleico esférico (SNA), uma estrutura em nanoescala composta por filamentos de ADN que envolvem pequenas esferas. Esta reformulação aumentou a solubilidade e a eficácia do composto, permitindo uma atuação mais precisa sobre as células cancerígenas e protegendo as células saudáveis.

Em testes realizados num modelo animal com leucemia mieloide aguda (LMA) — um tipo agressivo de cancro do sangue — a versão SNA penetrou nas células tumorais com 12,5 vezes mais eficiência e destruiu-as com 20 mil vezes mais eficácia do que o medicamento original. O tratamento reduziu ainda a progressão da doença em 59 vezes, sem causar efeitos colaterais detetáveis.

Segundo os investigadores, o estudo reforça o potencial da nanomedicina estrutural, um campo emergente que combina química e engenharia molecular para controlar com precisão o comportamento dos medicamentos dentro do organismo. Atualmente, já existem sete terapias baseadas em SNA em ensaios clínicos, e a equipa acredita que esta tecnologia pode abrir caminho para novas vacinas e tratamentos contra cancro, doenças infecciosas e distúrbios neurológicos e autoimunes.

Chad A. Mirkin, líder do estudo e referência mundial em nanotecnologia, explicou que os resultados representam “um avanço empolgante rumo a uma quimioterapia mais eficaz, com melhores taxas de resposta e menos efeitos colaterais”. O investigador salientou que o problema dos medicamentos tradicionais, como o 5-fluorouracilo (5-FU), está na sua baixa solubilidade, o que limita a absorção e eficácia do tratamento.

A solução encontrada pelos cientistas da Northwestern foi incorporar o 5-FU na estrutura SNA, tornando-o solúvel e facilmente absorvido pelas células mieloides — que reconhecem naturalmente essas nanoestruturas e as captam de forma seletiva. Dentro das células, o ADN da camada externa é degradado por enzimas, libertando o fármaco e eliminando o tumor de dentro para fora.

Nos testes realizados, a terapia eliminou quase todas as células cancerígenas no sangue e no baço dos animais tratados, prolongando significativamente a sobrevivência. Como o fármaco atua apenas sobre as células da LMA, os tecidos saudáveis permaneceram intactos — um resultado que poderá revolucionar a forma como a quimioterapia é administrada.

Os investigadores planeiam agora ampliar os testes a modelos animais de maior porte e, posteriormente, avançar para ensaios clínicos em humanos. Os resultados completos do estudo foram publicados na revista ACS Nano.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.