A trégua comercial celebrada entre Donald Trump e Xi Jinping, na passada quinta-feira, na Coreia do Sul, já começou a surtir efeito: Pequim indicou, no passado sábado, que vai prolongar o acordo sobre terras raras à União Europeia, indicou a publicação ‘El Español’.
Ou seja, a China está a adiar por um ano a implementação do novo e rigoroso regime de controlos sobre a exportação de terras raras, anunciado a 9 de outubro último, cujo anúncio abalou os mercados e causou problemas de abastecimento nas cadeiras de abastecimento globais. Pequim afirmou também que irá flexibilizar a proibição de exportação de chips da empresa Nexperia, da China, imposta após a intervenção do Governo holandês, na sede da empresa nos Países Baixos, alegando motivos de segurança nacional – uma crise que colocou a indústria automóvel europeia em xeque.
Estes anúncios realçam, uma vez mais, a extrema fragilidade da União Europeia nas negociações com as duas grandes potências. Apesar das repetidas tentativas, Bruxelas não conseguiu chegar a um acordo bilateral específico com a China, tendo de se contentar com os termos acordados entre Xi e Trump.
De facto, os especialistas de Bruxelas e da China realizaram na passada sexta-feira um dia inteiro de negociações comerciais a nível técnico na capital belga, que não resultaram em ganhos significativos para a União Europeia. “Diálogo construtivo com o Ministério do Comércio da China. A China confirmou que a suspensão dos controlos de exportação em outubro aplica-se à União Europeia”, salientou nas redes sociais Maros Sefcovic, comissário europeu do Comércio. “Ambas as partes reafirmaram o seu compromisso de continuar o diálogo para melhorar a implementação das políticas de controlo das exportações”, acrescentou.
Bruxelas está a queixar-se dos problemas causados pelo sistema de licenciamento de exportação de terras raras que a China introduziu em abril último, uma vez que apenas 50% dos pedidos da UE foram processados corretamente para que as empresas recebam estes materiais essenciais.
Os elementos de terras raras são ingredientes essenciais para indústrias estratégicas como a automóvel, a militar e a de fabrico de semicondutores. Pequim produz 90% dos elementos de terras raras refinados e ímanes de terras raras do mundo.
Von der Leyen está a preparar um novo plano denominado RESourceEU, que visa garantir o acesso a fontes alternativas de matérias-primas essenciais para a indústria europeia, promovendo novos acordos com países como a Ucrânia, Austrália, Canadá, Cazaquistão, Usbequistão, Chile e Gronelândia.















