China ameaça EUA e promete resposta firme ao sistema antimíssil ‘Cúpula Dourada’ de Trump

A China avisou esta quinta-feira que irá “contrariar de forma resoluta” o sistema antimíssil Cúpula Dourada avançado pela administração Trump, alegando que o projeto norte-americano prejudica os seus interesses de segurança.

Pedro Gonçalves
Novembro 27, 2025
16:44

A China avisou esta quinta-feira que irá “contrariar de forma resoluta” o sistema antimíssil Cúpula Dourada avançado pela administração Trump, alegando que o projeto norte-americano prejudica os seus interesses de segurança. A posição surge num livro branco sobre controlo de armamento, desarmamento e não proliferação, onde Pequim inclui críticas diretas à estratégia militar dos Estados Unidos.

No livro branco, o Governo chinês afirma que os EUA estão a desenvolver a Cúpula Dourada “sem qualquer contenção”, ambicionando alcançar “segurança absoluta” à custa da estabilidade internacional. O documento sustenta que o plano norte-americano prevê sensores e intercetores colocados no espaço, algo que, segundo Pequim, “ameaça gravemente a segurança nesse domínio”.
“China tomará medidas firmes contra quaisquer ações que ameacem ou prejudiquem os seus interesses fundamentais”, lê-se no texto.

A China recupera ainda críticas de longa data, lembrando que os Estados Unidos se retiraram unilateralmente do Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM) em 2002, então assinado com a Rússia. Segundo Pequim, essa decisão “prejudicou profundamente a confiança estratégica mútua, aumentou riscos estratégicos e danificou a segurança global e regional”. Pequim argumenta que a atual aposta norte-americana na Cúpula Dourada continua a enfraquecer mecanismos essenciais de estabilidade nuclear.

Apesar das críticas, o livro branco justifica o desenvolvimento das capacidades antimíssil chinesas, afirmando que essas tecnologias servem apenas a autodefesa do país e “não têm como alvo qualquer Estado ou região”. O texto lembra que, no desfile militar de setembro, Pequim apresentou sistemas que integram uma defesa multinível, insistindo que não pretende alterar equilíbrios estratégicos.

Críticas estendem-se ao reforço militar dos EUA na Ásia-Pacífico
O documento denuncia ainda o que descreve como a promoção, por parte dos EUA, da instalação de mísseis de alcance intermédio na Ásia-Pacífico. Sem nomear diretamente Washington, Pequim afirma que tecnologias chinesas visam “dissuadir guerras”, enquanto acusa o adversário de contribuir para um ambiente de “maior tensão e volatilidade”. Com um território vasto, a China considera necessária a modernização do seu arsenal e de “capacidades militares adaptadas às suas condições”.

A referência chinesa aponta para sistemas como o Typhon, que os EUA já deslocaram para bases no Japão e nas Filipinas — dois aliados estratégicos situados na chamada primeira cadeia de ilhas, considerada essencial para a estratégia norte-americana de contenção de eventuais avanços chineses na região.

Num dos trechos mais diretos do livro branco, Pequim declara que “se opõe firmemente a estes arranjos” e insta os EUA a pôr fim ao desenvolvimento e implantação de sistemas antimíssil globais, bem como à “disposição avançada” de armas ofensivas, incluindo mísseis. Do lado norte-americano, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, afirmou em maio que, “nas últimas quatro décadas, os adversários dos EUA desenvolveram armas de longo alcance mais avançadas e letais do que nunca”, capazes de atingir o território norte-americano com ogivas convencionais ou nucleares.

Apesar das críticas de Pequim, tudo indica que Washington continuará a desenvolver a Cúpula Dourada, vendo nela uma resposta às ameaças representadas por mísseis russos e chineses cada vez mais sofisticados. Resta agora saber até que ponto a China avançará com novas contramedidas, incluindo sistemas concebidos para ultrapassar futuras defesas norte-americanas e garantir capacidade de alcance ao território dos EUA.

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