Chefe do grupo mercenário Wagner pede a Putin que pare a guerra na Ucrânia

“Para as autoridades [russas] e a sociedade em geral, é necessário pôr fim à operação militar especial”, defendeu Yevgeny Prigozhin, numa mensagem que publicou na rede social Telegram.

Pedro Gonçalves
Abril 17, 2023
13:35

O líder do grupo mercenário russo Wagner, Yevgeny Prigozhin, defendeu o fim da guerra na Ucrânia, sustentando que a Rússia deve dar como cumpridos os objetivos da “operação militar especial” e preparar-se para uma batalha decisiva com as forças ucranianas. Segundo especialistas, a mudança súbita de posição de Prigozhin, visto como aliado de Putin, deve-se ao facto de estar a preparar uma eventual candidatura a um cargo político de relevo.

“Para as autoridades [russas] e a sociedade em geral, é necessário pôr fim à operação militar especial”, defendeu Yevgeny Prigozhin, numa mensagem que publicou na rede social Telegram.

O chefe do grupo Wagner diz que é altura de a Rússia “fortificar-se e agarrar-se com unhas e dentes aos territórios que já conquistou”, vaticinando que deve desenvolver esforços para uma batalha final que ponha fim ao conflito na Ucrânia. “Em teoria, a Rússia já pôs um fim a isto, aniquilando uma grande parte da população masculina ativa da Ucrânia e intimidando outra parte, que fugiu para a Europa”.

O especialista em política militar ucraniano Boris Tiesenhausen afirma ao canal TV FREEDOM que as declarações de Prigozhin devem-se ao facto de agora temer mais do que nunca uma derrota russa na guerra, e que por isso já conta todos os avanços como vitórias, sendo altura de tentar não aumentar o ‘prejuízo’. “Ele disse que cumpriram os objetivos, ou seja, tomaram um pedaço de terra para a Crimeia e mais uns corredores, mataram um grande número de soldados ucranianos, e dizem que isso é que eram os objetivos? Esta é a a visão de Prigozhin, que não é a mesma do que Putin”, assinala.

Em causa, aponta o politólogo e especialista em estratégia militar, está o facto de Prigozhin ter tentado promover-se como ‘o herói da Bakhmut’, posição que poderá ficar em causa, caso as tropas ucranianas consigam avanços nessa cidade, na expectável contraofensiva desta primavera.

“E se de repente acontecer, que acontecerá, então tudo o que Prigozhin contruiu para a sua imagem, durante tanto tempo, acabará por se desmoronar. Essa vitória está a escapar-lhe por entre os dedos, e o que vemos é que está a ficar nervoso. Ele já está preocupado com a Rússia no pós-guerra”, adianta Boris Tiesenhausen.

Atualmente o chefe do Grupo Wagner não tem qualquer ligação direta a um partido político, movimento ou ao Governo russo, nem sequer ocupou lugares nas empresas do Estado, no entanto, será um objetivou seu começar a trilhar carreira nessa área, pelo que agora que ser “integrado no sistema político” russo.

“Ele já disse ter essas ambições. E é por isso que já está a fazer trabalho nesse sentido, olhando à Rússia após a guerra”, explica o analista, que acredita que Prigozhin responderá a uma ala de apoiantes de Putin mais descontentes.

“Ele tem uma hipótese, segundo as estimativas e sondagens. Existe cerca de 12 a 15% do eleitorado de direita radical de Putin que agora está um pouco desapontado, por ele não ter utilizado armas nucleares na Ucrânia. Mas Prigozhin, como o ‘homem do martelo, pode conquistar este eleitorado e levantá-lo de volta no apoio ao conflito”, considera.

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