Adalberto Campos Fernandes, ex-ministro da Saúde, deixou, em declarações à ‘CNN Portugal’, um apelo ao primeiro-ministro Luís Montenegro para travar a degradação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), em particular os cuidados neonatais, na sequência da morte de um bebé de 11 meses que faleceu em Idanha-a-Nova. “Temo que os resultados dos relatórios de 2026 e 2027 vão acentuar que nós vamos regredir em alguns destes indicadores. Há pessoas que estão a chegar aos hospitais para terem crianças que nunca foram vistas por um médico e os médicos não conhecem a sua história. A aflição nos serviços de urgência de obstetrícia é enorme, os médicos ficam preocupados porque têm à frente alguém de quem não conhecem o historial”, apontou o ex-ministro.
Campos Fernandes apelou a um entendimento – “seja o PS ou o Chega ou com quem quiserem”, referiu – para salvar o SNS. “O sofrimento dos serviços públicos tem vindo a agravar-se paulatinamente ao longo do tempo e não há exatamente aqui um ponto de partida que seja identificado na fita do tempo”, explicou, garantindo que o entendimento é mais importante do que substituir a ministra Ana Paula Martins. “Com esta ministra ou com outra ministra, o senhor primeiro-ministro deve considerar a saúde uma prioridade política transgeracional”, referiu. “Há condições, há dinheiro, há recursos financeiros que não existiam há uns anos. O que falta é organização.”
Em causa está o caso do bebé de 11 meses, que faleceu no centro de saúde de Idanha-a-Nova, horas depois de ter tido alta do Hospital Amato Lusitano, em Castelo Branco. A Unidade Local de Saúde (ULS) de Castelo Branco assegurou que o bebé de 11 meses foi atendido de imediato no centro de saúde local e que a médica de serviço iniciou manobras de reanimação antes da chegada do INEM.
O Ministério Público de Castelo Branco já deu início a uma investigação à morte do bebé, já a Unidade Local de Saúde de Castelo Branco abriu um inquérito interno para apurar o que aconteceu. Ana Paula Martins, em declarações à ‘TVI’, exigiu saber “exatamente e rapidamente” o que se passou.
“A ULS abriu de imediato um inquérito. (…) A direção executiva do SNS de imediato, naturalmente, entrou em contacto com a ULS e em conjunto têm estado a trabalhar para que o inquérito se faça e se saiba muito rapidamente e exatamente o que é que se passou sob o ponto de vista clínico. Depois, também o INEM já fez o seu relato. Portanto, aguardamos saber o mais depressa possível exatamente o que é que se passou com aquele bebé”, sublinhou Ana Paula Martins.






