Carros elétricos chineses: a Europa já está pronta para desistir?

Bruxelas estuda reduzir ou mesmo eliminar estas sobretaxas para os fabricantes que concordem em aplicar um preço mínimo aos seus modelos na Europa

Automonitor
Janeiro 14, 2026
12:03

A União Europeia está a considerar uma mudança de posição face aos veículos elétricos chineses. Menos de dois anos após a imposição das primeiras tarifas sobre automóveis importados da China, Bruxelas estuda reduzir ou mesmo eliminar estas sobretaxas para os fabricantes que concordem em aplicar um preço mínimo aos seus modelos na Europa.

A medida reflete, simultaneamente, a força da indústria automóvel chinesa e as dificuldades diplomáticas europeias perante Pequim, indicou o site motorizado ‘L’Automobile Magazine’. A isenção de tarifas só seria válida se os fabricantes chineses respeitarem critérios específicos, garantindo preços alinhados com os veículos produzidos na União Europeia, que não beneficiam dos mesmos subsídios governamentais concedidos às marcas chinesas.

Preço mínimo: a condição-chave da UE

O mecanismo proposto pela UE baseia-se em dois métodos de cálculo do preço mínimo: pode ser considerado com base no preço CIF do exportador, incluindo custo, seguro e transporte do veículo durante o período de investigação, somado aos direitos compensatórios aplicáveis, ou com base no preço de mercado europeu, comparável ao de um modelo similar produzido na UE, considerando custos de venda e uma margem de lucro razoável, mas sem subsídios.

Além disso, os fabricantes chineses estariam proibidos de transferir os benefícios dos subsídios para os seus modelos híbridos ou híbridos plug-in, evitando práticas de dumping disfarçado, uma estratégia comum na China que consiste em baixar preços artificialmente para conquistar mercado, antes de aumentar margens de lucro quando a base de clientes estiver consolidada.

UE e China: uma relação delicada

O movimento da União Europeia surge num contexto de mercado instável para os fabricantes chineses. Apesar de ter sofrido reveses económicos recentes — desde o setor imobiliário a quotas de CO2 para exportações metalúrgicas —, a indústria automóvel chinesa mantém-se forte, sobretudo na eletromobilidade. “O documento da UE ainda é preliminar, mas sinaliza que marcas que cumpram todos os critérios poderão escapar às taxas antidumping aplicadas anteriormente”, explicou um porta-voz europeu. Entre esses critérios, além do preço mínimo, estão incluídos investimentos na Europa, um fator que beneficia apenas algumas marcas, com a BYD destacando-se como melhor posicionada neste momento.

Implicações para o mercado europeu

Se a proposta for implementada, os carros chineses poderiam chegar à Europa com preços mais competitivos, mas sem comprometer a equidade em relação aos fabricantes europeus. Esta abordagem tenta equilibrar interesses comerciais, competitividade e estabilidade do mercado interno, ao mesmo tempo que reforça a pressão sobre Pequim para que respeite regras definidas internacionalmente. Analistas alertam, contudo, que qualquer flexibilização das tarifas demonstra fragilidade diplomática, refletindo a necessidade da UE de manter relações comerciais e políticas com a potência asiática, enquanto protege o setor automóvel europeu da concorrência desleal.

Perspetivas para 2026

À medida que o debate avança, a União Europeia terá de decidir se mantém uma postura firme ou se abre exceções condicionais às tarifas. A forma como Pequim responder poderá determinar não só o futuro da eletromobilidade na Europa, mas também a dinâmica das negociações comerciais entre os dois blocos, num setor cada vez mais estratégico e competitivo.

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