POR: Ana Almeida Simões, directora de Inovação do Grupo Brisa
A mobilidade urbana está a transformar-se rapidamente, impulsionada por desafios como a sustentabilidade, a eficiência energética, a digitalização e a exigência crescente de qualidade de vida nas cidades.
Nesta mudança, a inovação assume um papel central. Não se trata apenas de desenvolver novos meios de transporte, mas de repensar a forma como nos deslocamos, como interagimos com o espaço urbano e como podemos tornar a viagem numa experiência mais simples, segura e sustentável.
A tecnologia tem vindo a transformar a mobilidade através de sensores, dados em tempo real, inteligência artificial e plataformas digitais que permitem redesenhar a forma como circulamos. No entanto, a verdadeira inovação acontece quando deixamos de olhar para os modos de transporte como elementos isolados e passamos a encará-los como partes interligadas de um ecossistema inteligente. É aqui que conceitos como Mobilidade como Serviço (MaaS) ou cidades conectadas ganham relevância e integração, sustentabilidade e segurança passam a ser novas prioridades.
Mas a inovação na mobilidade não pode ser apenas tecnológica. Tem de ser também social, organizacional e cultural, pois só através da mudança de comportamentos, modelos mentais e formas de trabalhar conseguiremos criar soluções verdadeiramente ajustadas às necessidades das cidades e dos cidadãos do futuro.
Portugal tem vindo a afirmar-se como um terreno fértil para esta transformação, com ecossistemas colaborativos que juntam startups, grandes empresas, municípios e academia em torno de desafios reais. Multiplicam-se os espaços de experimentação urbana e os programas de aceleração dedicados à mobilidade sustentável, com foco na eletrificação, na digitalização e na integração de serviços. Também as plataformas que ligam diferentes modos de transporte e serviços urbanos têm contribuído para tornar a mobilidade mais fluida, acessível e centrada no utilizador.
Este movimento, enraizado num espírito de cocriação e inovação aberta, mostra que há no país uma energia coletiva a transformar a mobilidade num bem partilhado e evolutivo, ao serviço de todos. A inovação na mobilidade exige, de facto, uma abordagem sistémica, através da colaboração entre o sector público, empresas, universidades, startups e cidadãos para gerar soluções verdadeiramente eficazes. Essa colaboração tem de ser consistente, baseada na partilha de conhecimento, confiança mútua e visão comum.
A mobilidade do futuro não se constrói apenas com infraestruturas ou com algoritmos. Constrói-se com visão, com propósito e com a coragem de testar, aprender e evoluir. Significa colocar o utilizador no centro, mas também não esquecer o impacto ambiental, a inclusão social e a segurança de todos os que partilham o espaço urbano.
Vivemos um momento crucial, em que as escolhas que fizermos hoje vão moldar a forma como vivemos nas próximas décadas. Inovar na mobilidade é, mais do que uma opção tecnológica, um compromisso com cidades mais humanas, eficientes e resilientes. E esse compromisso exige mais do que soluções, exige acção por parte de todos os agentes envolvidos.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Mobilidade Urbana e Smart Cities”, publicado na edição de Julho (n.º 232) da Executive Digest.














