O cabaz alimentar registou, na última semana, o valor mais elevado desde que a DECO PROteste iniciou a monitorização destes produtos essenciais, em 2022. Atualmente, a cesta de 63 bens essenciais custa 249,09 euros, representando um aumento de 7,27 euros (3,01%) face à semana anterior.
Segundo a DECO PROteste, este valor traduz a maior subida semanal registada desde o início do acompanhamento, com o preço do cabaz a ser agora significativamente superior ao registado há um ano, quando custava 9,01 euros menos (menos 3,75%), e muito acima do valor de há quatro anos, quando era possível adquirir os mesmos produtos por 61,39 euros menos (menos 32,71%).
A DECO PROteste acompanha semanalmente a evolução dos preços dos produtos alimentares essenciais, utilizando dados recolhidos em supermercados com loja online. O cálculo do custo do cabaz começa pela determinação do preço médio de cada produto em todas as lojas disponíveis no simulador online. Posteriormente, somam-se os valores médios de todos os produtos para obter o preço total do cabaz num determinado dia, permitindo acompanhar a evolução dos preços ao longo do tempo.
Produtos com maiores aumentos recentes
Na semana de 7 a 14 de janeiro, os produtos com maior subida percentual foram o esparguete (mais 23%), a dourada (mais 20%) e a massa em espirais (mais 18%). Quando a comparação é feita com o mesmo período de 2025, os maiores aumentos verificaram-se no robalo (mais 41%), no café torrado moído (mais 35%) e nos ovos (mais 32%).
A análise de quatro anos desde o início do acompanhamento da DECO PROteste revela subidas ainda mais expressivas: carne de novilho para cozer (mais 97%), ovos (mais 86%) e polpa de tomate (mais 71%).



Factores que impulsionaram a subida dos preços
A escalada dos preços nos últimos anos está ligada a múltiplos fatores internacionais e nacionais. A invasão da Rússia à Ucrânia em 2022, fonte de grande parte dos cereais consumidos na União Europeia, pressionou o setor agroalimentar, que ainda enfrentava os impactos da pandemia de covid-19 e da seca em Portugal. A limitação de oferta de matérias-primas, aliada ao aumento dos custos de produção, como fertilizantes e energia, refletiu-se na subida dos preços internacionais e, consequentemente, nos valores pagos pelos consumidores portugueses em produtos como carne, hortofrutícolas, cereais de pequeno-almoço e óleo vegetal.
Em abril de 2023, o Governo português implementou a isenção de IVA em cabazes com mais de 40 alimentos, medida que inicialmente ajudou a controlar os preços, mas que perdeu efeito alguns meses depois, com os valores a dispararem novamente. Em 2024, o azeite virgem extra registou o seu preço mais alto em abril, enquanto em 2025 as maiores subidas afetaram ovos, café torrado moído e chocolate.
Os sucessivos aumentos dos preços ao consumidor elevaram a taxa de inflação a níveis históricos em 2022 e 2023. Contudo, segundo estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE), a inflação em 2025 terá ficado nos 2,3%, ligeiramente abaixo dos 2,4% de 2024. Em dezembro, a taxa anualizou-se em 2,2%, refletindo um abrandamento da pressão inflacionista, embora os preços do cabaz alimentar continuem a ser motivo de preocupação para os consumidores.














