Cabaz alimentar continua a subir e já custa quase mais 3 euros do que há um ano. Preço dos flocos de cereais dispara 24% na última semana

Os ovos e o café torrado moído foram os produtos que mais encareceram no último ano no cabaz alimentar acompanhado pela DECO PROteste.

Pedro Gonçalves
Janeiro 8, 2026
15:45

Os ovos e o café torrado moído foram os produtos que mais encareceram no último ano no cabaz alimentar acompanhado pela DECO PROteste. Esta semana, o conjunto de bens essenciais monitorizado pela associação de defesa do consumidor custa 241,83 euros, mais 2,69 euros do que há um ano, o que representa um aumento de 1,12%. A comparação com o início da monitorização, há quatro anos, revela uma subida acumulada superior a 54 euros.

De acordo com os dados divulgados, a 8 de janeiro de 2025 o mesmo cabaz custava menos 2,69 euros e, em janeiro de 2022, quando a DECO PROteste iniciou esta análise sistemática, comprar exatamente os mesmos 63 produtos ficava 54,13 euros mais barato, uma diferença de 28,84%.

Ovos e café com os maiores aumentos anuais
Entre 8 de janeiro de 2025 e 7 de janeiro de 2026, os maiores aumentos de preço incidiram sobre os ovos e o café torrado moído. Uma embalagem de meia dúzia de ovos custa agora 2,12 euros, mais 51 cêntimos do que há um ano, o que corresponde a uma subida de 32%. Em janeiro de 2025, a mesma quantidade custava 1,61 euros.

O café torrado moído registou igualmente uma forte valorização. Uma embalagem de 250 gramas tem agora um preço médio de 4,51 euros, mais 82 cêntimos do que há um ano, traduzindo um aumento de 22%.

Como é calculado o preço do cabaz alimentar
A DECO PROteste acompanha a evolução dos preços dos bens alimentares essenciais há quatro anos. Todas as quartas-feiras é calculado o custo total do cabaz, com base nos preços recolhidos no dia anterior nos principais supermercados com loja online.

O processo começa pelo apuramento do preço médio de cada produto nas várias lojas onde está disponível. A soma desses valores médios permite chegar ao custo total do cabaz num determinado dia, garantindo uma comparação consistente ao longo do tempo.

Subidas mais recentes concentradas em cereais, fruta e peixe
Se a análise incidir apenas sobre o período mais curto, entre o último dia de 2025 e 7 de janeiro de 2026, os produtos que mais aumentaram em termos percentuais foram os flocos de cereais, com uma subida de 24%, seguidos da maçã Golden, que encareceu 13%, e dos medalhões de pescada, cujo preço aumentou 7%.

Comparação anual mostra pressão generalizada nos frescos

Comparando os preços actuais com os praticados a 8 de janeiro de 2025, para além dos ovos e do café, registaram-se aumentos expressivos noutros produtos alimentares. O robalo encareceu 21%, o carapau subiu 19% e os brócolos ficaram 16% mais caros num ano.

Desde o início da monitorização, a 5 de janeiro de 2022, alguns produtos quase duplicaram de preço. A carne de novilho para cozer registou uma subida de 97%, os ovos aumentaram 85% e o bife de peru encareceu 66%, segundo os dados da DECO PROteste.

Guerra, pandemia e custos de produção explicam escalada dos preços
A forte subida dos preços dos alimentos nos últimos quatro anos tem várias causas. A invasão da Ucrânia pela Rússia, um dos principais fornecedores de cereais à União Europeia e a Portugal, pressionou o setor agroalimentar a partir de 2022. Este impacto surgiu numa altura em que o setor já enfrentava as consequências da pandemia de covid-19 e de períodos prolongados de seca em Portugal.

A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente dos fertilizantes e da energia, refletiram-se nos mercados internacionais e acabaram por chegar aos consumidores, encarecendo produtos como a carne, os hortofrutícolas, os cereais de pequeno-almoço e os óleos vegetais.

Isenção do IVA teve efeito temporário
Perante esta escalada, o Governo avançou, em abril de 2023, com a isenção do IVA num cabaz com mais de 40 alimentos essenciais. Embora a medida tenha contribuído inicialmente para travar a subida dos preços, o impacto acabou por se diluir poucos meses depois, com o cabaz alimentar a voltar a encarecer.

Em 2024, já após a reposição do imposto, alguns produtos continuaram a subir de forma significativa. O azeite virgem extra atingiu, em abril desse ano, o valor mais elevado desde que há registo na monitorização da DECO PROteste.

2025 marcado por novos aumentos em produtos-chave
O ano de 2025 ficou particularmente associado a novas subidas nos preços dos ovos, do café torrado moído e também do chocolate, reforçando a pressão sobre o orçamento das famílias, apesar de uma evolução mais contida da inflação.

Os sucessivos aumentos dos preços ao consumidor contribuíram para níveis historicamente elevados da inflação em 2022 e 2023. De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Estatística, em 2025 a taxa de inflação deverá ter ficado nos 2,3%, abaixo dos 2,4% registados em 2024. Já a inflação de dezembro deverá ter-se situado nos 2,2%.

Apesar deste abrandamento, os dados do cabaz alimentar mostram que os preços de muitos bens essenciais permanecem significativamente acima dos valores registados antes da crise inflacionista.

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