O preço do quilo de brócolos disparou 59 cêntimos em apenas sete dias, fixando-se nos 4,14 euros, segundo os preços desta semana. A variação representa um aumento de 17% face à semana anterior e torna este hortícola o produto que mais encareceu percentualmente em 2025, segundo dados divulgados pela DECO PROteste. Desde o início do ano, o preço do quilo de brócolos acumula já uma subida de 1,35 euros, o equivalente a 48%, quando comparado com os 2,79 euros registados a 1 de janeiro.
O impacto desta escalada é visível no cabaz alimentar essencial monitorizado pela organização de defesa do consumidor. Apesar de os brócolos puxarem os preços para cima, o custo global da cesta desceu na última semana, invertendo duas semanas consecutivas de aumentos. No dia 20 de agosto, o cabaz custava 241,30 euros, menos 3,01 euros (–1,23%) do que na semana anterior. Ainda assim, trata-se de um dos valores mais altos desde o início da monitorização.
Os números mostram também a evolução a mais longo prazo: face a janeiro de 2025, os consumidores pagam agora mais 5,13 euros (mais 2,17%) pelo mesmo conjunto de bens essenciais. E se a comparação recuar até janeiro de 2022, quando a DECO PROteste começou a acompanhar esta lista, a diferença é ainda mais expressiva: comprar os mesmos produtos custa hoje mais 53,60 euros, um acréscimo de 28,55%.



A análise semanal da organização é feita todas as quartas-feiras e baseia-se nos preços recolhidos no dia anterior junto dos principais supermercados com loja online. Para calcular o valor do cabaz, soma-se o preço médio de cada produto disponível nessas plataformas, o que permite obter uma média representativa para todo o conjunto de bens alimentares.
Na semana entre 13 e 20 de agosto, além dos brócolos, registaram-se aumentos expressivos noutros produtos: a alface frisada subiu 8%, o atum em posta em óleo também 8% e o pão de forma sem côdea encareceu 6%. Desde o início do ano, destacam-se ainda subidas acentuadas no café torrado moído (mais 36%), nos ovos (mais 28%) e na laranja (mais 24%). Desde 2022, os recordes de aumentos continuam a ser detidos pela carne de novilho para cozer (mais 91%), os ovos (mais 81%) e o café torrado moído (mais 73%).
Outro dado relevante é a evolução do cabaz de 41 alimentos que beneficiaram da isenção de IVA entre abril de 2023 e janeiro de 2024. Desde o fim desta medida, a 4 de janeiro do ano passado, o preço desses produtos aumentou 7,33 euros (mais 5,16%), passando de 141,97 euros para 149,31 euros. Segundo a DECO PROteste, entre os que mais encareceram destacam-se a carne de novilho para cozer (mais 36%), os ovos (mais 35%) e a dourada (mais 34%).
A explicação para as fortes pressões nos preços alimentares remonta a 2022. A invasão russa da Ucrânia reduziu a oferta de cereais, agravando uma crise já marcada pelos efeitos da pandemia e da seca. Os custos com matérias-primas, fertilizantes e energia aumentaram significativamente, refletindo-se no preço de produtos como carne, hortofrutícolas, óleos vegetais e cereais de pequeno-almoço.
A inflação teve picos históricos nesse período, atingindo uma média anual de 7,8% em 2022, antes de abrandar para 4,3% em 2023 e 2,4% em 2024, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE). Contudo, em 2025, a tendência voltou a inverter-se: após três meses de descida, a taxa voltou a acelerar em abril e, em julho, fixou-se em 2,6%.
Perante este cenário, a DECO PROteste aconselha os consumidores a comparar preços antes de fazer compras, através do simulador “Saber Poupar”, disponível em www.saberpoupar.pt
, que permite consultar os supermercados mais baratos por distrito, concelho e tipo de produtos.














