Berlim sob ataque? Grupo extremista de esquerda deixa nova ameaça à rede elétrica

Autores da ameaça afirmam que o abastecimento elétrico do bairro de Marzahn-Hellersdorf, no leste de Berlim, estaria novamente na mira do grupo

Francisco Laranjeira
Janeiro 8, 2026
12:26

Um alegado “grupo vulcão” voltou a ameaçar a rede elétrica de Berlim através de uma nova carta publicada no portal Indymedia, classificado como extremista de esquerda pelas autoridades alemãs. A mensagem surge pouco depois de ter sido restabelecido o fornecimento de eletricidade em bairros da capital, na sequência de um ataque incendiário a uma subestação, segundo a ‘Euronews’.

No comunicado, entretanto removido da plataforma, os autores afirmam que o abastecimento elétrico do bairro de Marzahn-Hellersdorf, no leste de Berlim, estaria novamente na mira do grupo. A zona é servida pela empresa Stromnetz Berlin GmbH, responsável pela gestão da rede elétrica da cidade.

A carta distingue-se de mensagens anteriores por incluir uma tomada de posição interna. O grupo afirma distanciar-se de outros coletivos que utilizam a mesma designação, sustentando que existem vários “grupos vulcão” que partilham afinidades ideológicas, mas não atuam de forma coordenada. Os autores rejeitam ainda a hipótese de o ataque recente ter sido uma operação de falsa bandeira ou de envolver partidos políticos alemães ou a Rússia.

As autoridades admitem não ser possível verificar de forma independente a autenticidade do texto, uma vez que qualquer utilizador pode publicar anonimamente no Indymedia. Ainda assim, comunicações anteriores relacionadas com o ataque incendiário em Lichterfelde também foram divulgadas através do mesmo portal, o que mantém a ameaça sob vigilância.

Após o restabelecimento da eletricidade nos bairros afetados, o Governo regional de Berlim garantiu que todos os pontos críticos da rede estão atualmente a ser monitorizados pela polícia, com reforço de vedações e sistemas de proteção contra intrusão. Está igualmente prevista a instalação de câmaras de vigilância com recurso a inteligência artificial nas linhas elétricas de alta tensão que se encontram acima do solo.

Segundo as autoridades, apenas cerca de 1% da rede elétrica de Berlim não está subterrânea. Desses troços, três quartos já dispõem de videovigilância, estando o restante condicionado até agora por regras de proteção de dados em espaços públicos. O executivo regional admite rever esse enquadramento para assegurar uma cobertura total a curto prazo.

Os chamados “grupos vulcão” são conhecidos dos serviços de informações alemães desde pelo menos 2011 e têm sido associados a vários ataques ao longo da última década. O Ministério Público Federal lidera a investigação ao ataque incendiário mais recente, que as autoridades de Berlim classificam como um ato de terrorismo de extrema-esquerda.

As suspeitas incluem crimes de sabotagem anticonstitucional, incêndio e perturbação de serviços públicos essenciais. No entanto, os autores permanecem por identificar, tal como em ações anteriores, o que dificulta a atribuição clara de responsabilidades. Os serviços de segurança consideram que estes grupos funcionam como redes informais do anarquismo militante, sem uma estrutura centralizada, o que complica a sua identificação enquanto organização extremista formal.

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