Seja no outono e o inverno com mais intensidade, e em algumas ocasiões especiais (como o Natal ou a Páscoa), o consumo de batatas — sejam doces ou brancas — torna-se ainda mais habitual nas mesas portuguesas. No entanto, uma dúvida persiste entre muitos consumidores: será seguro comer uma batata que já começou a ganhar rebentos ou adquiriu uma coloração esverdeada?
Apesar da crescente aceitação de “frutas e legumes feios” como forma de combater o desperdício alimentar, o mesmo princípio nem sempre se aplica às batatas com sinais visíveis de envelhecimento ou deterioração. A verdade, segundo os especialistas, é que nem todos os sinais de degradação devem ser ignorados, especialmente quando em causa estão alterações associadas à produção de toxinas perigosas para a saúde humana.
Rebentos são comuns, mas requerem atenção
A boa notícia é que a presença de rebentos — os chamados “olhos” da batata — não torna automaticamente o tubérculo impróprio para consumo. “Estes rebentos contêm uma toxina chamada solanina, que pode provocar sintomas como dores de cabeça, vómitos e outros problemas digestivos”, explica Ellen Shumaker, diretora de divulgação do programa Safe Plates da Universidade Estatal da Carolina do Norte, em entrevista ao HuffPost.
No entanto, Shumaker acrescenta que “se os rebentos forem pequenos e a batata não estiver mole ou enrugada, podem ser removidos e o resto da batata ainda pode ser consumido com segurança”.
Batatas verdes devem ser evitadas
Se os rebentos podem ser tolerados com alguma precaução, o mesmo não se aplica às batatas que começam a adquirir uma coloração esverdeada. Maggie Michalczyk, nutricionista e fundadora da Once Upon a Pumpkin, é taxativa: “Não coma essas batatas!”. Segundo a especialista, a exposição à luz solar leva à formação de clorofila, o que causa o tom esverdeado, mas o verdadeiro problema é o aumento da concentração de solanina.
Shumaker reforça: “A presença de verde na casca é sinal de formação da toxina solanina, também presente nos rebentos. Se as manchas verdes forem pequenas, podem ser removidas, mas se forem grandes, é recomendável descartar a batata”.
Além da cor e dos rebentos, uma textura enrugada e uma consistência mole são sinais claros de que a batata passou do ponto e deve ir para o lixo. Nos casos mais extremos, a ingestão de grandes quantidades de solanina pode mesmo provocar paralisia, ainda que esses episódios sejam raros.
Valor nutricional também é afetado
Batatas com rebentos e manchas verdes não são apenas menos seguras — são também menos nutritivas. De acordo com Tamar Samuels, nutricionista e cofundadora da Culina Health, “embora não haja muitos estudos sobre o assunto, podemos assumir que o valor nutricional das batatas que começam a rebentar é inferior, pois estão mais expostas à oxidação, especialmente em temperaturas elevadas”.
Já Maggie Michalczyk lembra que batatas em bom estado são uma fonte valiosa de nutrientes: “As batatas brancas fornecem vitamina C e potássio, enquanto as doces são ricas em vitamina A graças à sua cor alaranjada”. Historicamente, as batatas chegaram mesmo a salvar vidas ao prevenirem o escorbuto, devido ao seu teor de vitamina C.
Como conservar batatas para evitar problemas
Para manter as batatas em boas condições e evitar a formação de solanina, a recomendação é clara: armazenar em local fresco, seco e protegido da luz. Uma dica prática é colocá-las num saco de papel, o que ajuda a prolongar a frescura e a impedir o desenvolvimento de rebentos e manchas verdes.
Uma batata com um ou outro rebento pode ainda ser aproveitada — desde que firme e saudável no interior —, mas as batatas verdes devem ser evitadas. A segurança alimentar deve prevalecer sobre o desejo de evitar o desperdício. Como lembra Shumaker, “olhos” e tonalidade esverdeada são os principais sinais de alerta.
Por isso, da próxima vez que estiver a preparar puré ou a cortar batatas para assar, verifique bem o seu aspeto. Uma batata saudável é saborosa, nutritiva e segura — e continua a ser um alimento essencial nas cozinhas durante os meses mais frios.












