A negociação do chamado spread no crédito à habitação, margem de lucro aplicada pelos bancos sobre os empréstimos para compra de casa, tornou-se uma variável determinante no custo final dos créditos em Portugal, com impacto direto nas prestações mensais dos consumidores. Especialistas alertam que, apesar da queda de taxas de juro de referência como a Euribor, muitos mutuários ainda pagam spreads acima do que o mercado atualmente oferece.
O spread é negociável e varia de cliente para cliente, refletindo fatores como o perfil de risco, a relação entre o valor financiado e o valor do imóvel (LTV) e a contratação de produtos bancários adicionais. Em 2026, os bancos portugueses estão a intensificar a oferta de condições mais competitivas, mas um spread baixo nem sempre significa um crédito mais barato quando todos os custos são considerados.
Dados de mercado apontam para um cenário em que algumas instituições promovem campanhas com spreads promocionais que podem chegar a valores muito inferiores à média histórica, especialmente para novos contratos ou clientes com perfil considerado baixo risco. No entanto, esses valores estão muitas vezes associados à exigência de subscrição de produtos complementares, como seguros ou domiciliação de salário.
Negociar diretamente com o banco ou considerar a transferência do crédito para outra instituição pode ser uma estratégia eficaz para reduzir o spread, contanto que os custos envolvidos na operação compensarem a redução de encargos a longo prazo.
“Negociar o spread é fundamental para reduzir o custo total de um crédito à habitação. Muitos mutuários não exploram esta possibilidade por falta de informação, mas a diferença nas prestações pode ser significativa ao longo do tempo”, afirma Pedro Castro, Head of Operations de Crédito Habitação no ComparaJá. “Comparar ofertas de diferentes bancos e analisar a TAEG, que inclui todos os encargos associados ao crédito, é tão importante quanto focar unicamente no valor do spread.”
Especialistas recomendam aos consumidores que, além de comparar os spreads, considerem a Taxa Anual de Encargos Efetiva Global (TAEG) e o Montante Total Imputado ao Consumidor (MTIC) como indicadores mais completos do custo real do crédito. A TAEG, em particular, agrega não apenas o spread e a taxa de juro de referência, mas também comissões, seguros e outros encargos associados ao financiamento habitacional.
À medida que o mercado evolui, com spreads e taxas ainda competindo entre instituições financeiras, o apelo para negociação e comparação de propostas torna-se cada vez mais pertinente para quem pretende comprar casa ou reduzir os custos de um crédito já em vigor.














